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Sunday, April 10, 2011

Londrina


Uma cidade inteira deixa-se estar, meio despida, a sorver o sol. Uma cidade que prontamente se declararia uma (senão a) referência de civilidade e decoro, à luz de um qualquer conjunto de preceitos impressos na tábua rasa ocidental.

Aqui há códigos de indumentária e de conduta. Aqui há mulheres em topless no meio da cidade. Aqui há homens de fatos à medida, nas carruagens do metro, com semblantes carregados de responsabilidade económica e marchas cheia de propósito. Aqui há homens de fato à medida, nas carruagens do metro, em sexta-feira embriagada, a dedicar a plenos pulmões serenatas a moças de cabelos armados e olhos carregados, desajeitadamente, de negrura. Aqui há casamentos reais cheios de pompa e circunstância. Aqui há roupa interior e preservativos dedicados a esses casamentos. Aqui há janelas sem cortinas e portas abertas. Casas que parecem convidar mas que possuem uma rede invisível em seu redor. Aqui a vergonha fica com quem espreita. Fica comigo. Que passo vidas inteiras a olhar. Que observo os homens semi-nus, num domingo langoroso, no parque a jogar à bola. Que me foco nos reflexos dourados dos cabelo de um bebé de feições (surpreendentemente) asiáticas, para o qual sorrio. Que me regozijo no olhar desfocado de um jovem cão e que lhe jogo a mão para lhe incentivar o entusiasmo, para ver os meus esforços invalidados pelo dono, que puxa pela trela e me admoesta com o olhar.

Aqui os animais correm livremente. Os pelicanos, os gansos, os patos, os esquilos, seguem-te pelo parque. Aqui as ovelhas fogem às crianças e às suas mãozinhas esticadas, tão determinadas em afagá-las e puxar-lhes a lã fofa. Aqui não há cães nem gatos vadios. Aqui o sol é precioso. Aqui a chuva é ignorada. Aqui a relva é pisada. Aqui é proibido alimentar os pombos. Aqui o rio é sujo. Aqui o rio é lindo e cheio de vida. Aqui, em dias de Verão, as crianças mais atrevidas atiram-se ao seu leito e nadam entre o lixo e as galinholas. Aqui é proibido nadar no Tamisa.

Aqui a roupa nova é barata e a que se finge velha cara. A verdadeiramente datada ainda mais. Aqui ¼ quilo de batatas custa 1 libra. Aqui um chocolate custa 30 cêntimos. Aqui a comida chinesa é barata. Aqui a comida mediterrânea é uma iguaria. Aqui o pão não é bom. Aqui os bolos fascinam o paladar. Aqui há feijão ao pequeno-almoço, em mesas de madeira riscadas e gastas. Aqui há chá das cinco, em cadeiras de veludo e estampados de algodão.

Aqui sorriem-te. Aqui não te olham nos olhos. Aqui o telejornal não é narrado em jeito de novela de faca e alguidar. Aqui a imprensa é facciosa e falaciosa. Aqui a cultura é de graça. Aqui o entretenimento é dispendioso. Aqui miscigenam-se. Aqui segregam-se. Aqui o olhar empanturra-se de belos homens. Aqui o olhar de muitos deles empanturra-se com outros belos homens.

Aqui não me importo com as idiossincrasias. Aqui sinto saudades das idiossincrasias da minha terra natal. Aqui sinto-me a borbulhar e não a secar. Aqui afogo-me em escolha.

Aqui entrevejo-me. Aqui não me reflicto. Como num puzzle, com um céu que parece infindável, sou uma peça azul de três quinas, com encaixe que se antevê mas ainda invisível a olho nu. Sou azul da cor do mar mas encaixo-me no céu.

Falta-me adjacência. Falta-me aconchego. Aqui.

Lili

Wednesday, November 24, 2010

It Gets Better

Não estou bem a par do que se passou, apenas sei que, de repente, os Estados Unidos acordaram para a problemática da homossexualidade e da dor que isso constitui para muitos jovens e adolescentes. Estou em crer que, num espaço de tempo reduzido (uma semana?), imensos miúdos gays se suicidaram e outros foram vítimas de violência, coisa que, finalmente, chocou a América.

Como tal, deu-se início à campanha It Gets Better. Já várias figuras ilustres vieram a público dizer que realmente tudo melhora, que os miúdos só têm de aguentar aquela fase difícil do crescimento em que ser diferente é ser anormal, em vez de ser especial. Acredito firmemente que sim, que tudo melhora, que tudo vai ficar bem. Não é à toa que a citação mais antiga que me acompanha é uma de Shakespeare, "Não há noite tão longa que não encontre o dia". Não há. Em nenhum lugar deste planeta, há noite que dure para sempre.

E por isso, veio o Obama (sim, também o Presidente), o Tim Gunn, a Ellen Degeneres, o Adam Lambert, até a Ke$ha afirmar que tudo vai melhorar... Mas ninguém o fez como a Pixar:



Ninguém sabe porquê, mas o cinema de animação toca-nos num sítio do coração a que os outros filmes não chegam. Talvez esse sítio se chame inocência. Talvez se chame simplicidade. Ou talvez seja apenas amor.

É por isso que, quando a Pixar me diz que tudo vai ficar bem, eu acredito.

MJNuts

Monday, May 31, 2010

Lxnet e o Mundo

Leitores do Tretas, vem aí assunto sério. Bem, o que vos quero mostrar não se pode definir como algo que seja sério, mas o contexto em que o quero encaixar é, talvez, um pouco frágil. Quero, desde já, deixar aqui assente que não é minha intenção tomar partido algum, nem muito menos opinar sobre a personagem que estão prestes a conhecer. Não quero ofender nem elogiar ninguém e se a minha opinião vier ao de cima, o que é provável que aconteça de forma subtil, perdoem a criatura crítica que existe em mim.

Este é o Bruno:



O Bruno não faz falta aos Ídolos e, como tal, o que ele decide fazer é pegar numa câmara, pintar o cabelo de cor-de-rosa - o cor-de-rosa mais berrante que os meus olhos já viram -, e ir para as ruas de Lisboa filmar a cidade como ele a vê.

Dito deste modo, até a mim me parece ser uma atitude bastante natural. O que não falta ao YouTube são vídeos inúteis e desnecessários sobre o irrelevante e o pouco importante que há neste mundo. A partir daí, o Bruno é bem-vindo a partilhar, virtualmente, todos os seus caprichos da imaginação, todos as suas fantasias, sonhos e quimeras.

Mas há devaneios que dão que falar mais que outros. Este é o Bruno e o seu programa, Lxnet:



...

Foi-me mostrado este vídeo ainda hoje e a pessoa que o fez avisou-me previamente que a personagem que me iria apresentar envergonhava toda a comunidade gay e que só tinha vontade de o esmurrar. À medida que o vídeo decorria e o víamos naquela sala minúscula, alguns riam, outros abanavam a cabeça incrédulos, outros ficavam irritados e uns diziam ainda estar a ficar mal-dispostos.

Este é o Bruno, que não se vê todos os dias, mas que podemos encontrar nos comboios da linha de Cascais, na Baixa-Chiado, no Starbucks ou, claro, no Trumps. São imensos os vídeos que podem ver no YouTube e que fazem parte deste programa, denominado por Lxnet. O que podem encontrar, também, juntamente com estes vídeos, são as famosas partilhas de opinião:

«morre paneleiro do crl»

«n dizes pão! Pede para cagar e sai.»

«és o quê? lisu ou... liso again... fonix deves ter um gosto de existir.»

«que nojo ...»

«falece»

«então e que tal calares essa boca de merda e utilizares aquilo que a tua mãe te deve ter dado, chamado cérebro. Hein?»

«lol, ele ta a gozar, deve ser uma cena a gozar com os Americanos ou assim...»

«oh meu idiota, primeiro eu gozei com ele. Portanto wtf para levares tão a peito uma piada sobre um puto gay, ofendi-te foi? e segundo, achas mesmo que aquilo vai continuar assim para sempre? quando tiver 30 já tá noutra onda... portanto, fuck off!»

Este é o Bruno e as suas frases características, que vai repetindo ao longo de todos os seus vídeos:



«hi bitch! migo tens de pintar essas raízes. take care.»

Eu, por vezes, rio-me. Rio-me especialmente no minuto 2.34, quando ele emite uns sons estranhos e faz uma expressão hilariante para o seu lado esquerdo. Por vezes, também me faz confusão. Choca com aquilo que eu acho que deveria ser. Mas quem sou eu? Com certezas vos digo que não conseguiria conviver com este ser e a pessoa que ele mostra nestes vídeos não é a mais interessante. Mas é chocante. Não interessa se o é no bom ou no mau sentido. Estes testemunhos nas ruas de Lisboa são chocantes.

Parece-me um pouco demais os comentários que possamos fazer, que definem isto como lixo e como parte do mundo que não deveria existir. No entanto, no meu meio social, admito que palavras semelhantes me pudessem sair da boca.

Mas, depois, lembro-me: whatever makes you happy.

Sim, é assustador e, sim, à primeira vista, parece manchar a ideia do que é um homossexual, mas, a verdade, é que também existem heterossexuais idiotas, se assim quiseremos definir o Bruno. A questão não é tratar-se de um paneleiro que não deveria existir, mas, sim, de um idiota que não deveria existir (usando palavras que não me pertencem). Não quero, de modo algum, entrar na discussão, já cansativa, das sexualidades e da discriminação, mas, digam-me: o que acham vocês do Bruno? Eu ando a aprender a ser mais tolerante.

Deixo-vos com mais um vídeo do Bruno. Aquela conversa sem teor que não se percebe de onde vem. Que vidas. Mas, bem, sem mais demoras, Lxnet - Bichas na baixa!!




Guess

Tuesday, May 18, 2010

Cavaquinho

Confesso que não ouvi bem a declaração, porque estava numa sala com gente a tagarelar e é sabido que o senhor nosso presidente não é mestre em dicção. Deu para ver pelas "legendas" dos jornalistas e pelas expressões faciais mal disfarçadas que Cavaco Silva não era particularmente fã do que estava prestes a fazer.

Ah e tal, semântica, união vs. casamento, só 7 países do Mundo é que chamam casamento à coisa, etc etc. Lá concluiu que não valia a pena adiar o inevitável, causando mais polémicas e distraindo o Governo - e o povo - de questões mais importantes (como aumentar-nos os impostos, diminuir-nos os salários e congelar-nos os subsídios). Somos todos pessoas, se todos temos os mesmos deveres, toda a gente deveria ter os mesmos direitos e acesso aos mesmos privilégios.

Por isso, olha, parabéns, Portugal! És pequenito, mas passaste à frente de muitos grandes com esta medida. E obrigada, Cavaco, sim? Mal posso esperar pelo dia em que serei convidada para o meu primeiro casamento gay! ^^ Amigos, vá lá, fico à espera!

E celebremos com vídeos de gente linda que já se poderia casar se vivesse por cá (ou se fosse dos tempos modernos, na verdade).





MJNuts

P.S.- Ontem foi o Dia Internacional contra a Homofobia. Nicely done, Mr. President.

Saturday, March 6, 2010

Seriously, Celebrities, What?!

Eu sei que estou um pouco atrasada para a "festa", mas devido a este site e, mais precisamente, ao segredo 142, fui relembrada de uma situação que preferia esquecer...

Não sei se se recordam, mas Roman Polanski andou anos fugido dos Estados Unidos porque violou uma rapariga de 13 anos nos anos 70 (o testemunho da vítima está aqui e não é para gente sensível). Apesar de se ter dado como culpado (e de ter arranjado forma de só ser indicado por sexo com uma menor e não violação), conseguiu sair do país e andou décadas a fazer filmes alegremente, saltando de país em país, impune. Países europeus, sublinho com vergonha. Felizmente, a Suiça é um país de gente neutra e cumpridora e, assim que deram por tal criatura pôr lá os pés, extraviaram-no de volta para os US para pagar pelo crime que cometeu. Roman Polanski foi preso (mas já está em prisão domiciliária, fiquem descansados).

O que na altura me chocou, e ainda choca mais agora, que resolvi, por curiosidade mórbida, ir espreitar os nomes, foi a quantidade de artistas ditos decentes, inteligentes!, que fez pressão para a libertação do realizador... Para que ele fosse perdoado sem haver prisão, tribunal, nada. "Ah, isso foi nos anos 70, já passou!", "It was a little mistake!" (adoro esta!), "A arte e o artista não são a mesma coisa!", "Ele está arrependido e ainda tem tanto para dar ao Mundo...".

Caras celebridades... WHAT?!

Não interessa que tenha sido há 30 anos atrás! E aquela rapariguinha que foi violada e teve de sofrer as consequências disso o resto da vida? Teve de ter pesadelos e sentir-se culpada e aprender a viver consigo mesma sabendo que há pessoas nojentas neste Mundo e que, com elas presentes, não é garantido que consiga ser feliz e leve e serena e despreocupada? Não me interessa que essa rapariguinha agora já esteja nos 40 e tenha sido quase forçada, por pressões sociais, a perdoar oficialmente Roman Polanski. Sou a favor de perdão e de não guardar rancor, sou, sim. Espero que ela tenha mesmo conseguido perdoá-lo, no seu coração, porque isso a vai fazer viver melhor consigo mesma, com o que lhe aconteceu. Mas isso é ela. Ele continua a ser um canalha da pior espécie que tem de pagar pelos seus crimes. Lá por ser rico e famoso, não significa que seja mais que os outros!

Olhem para esta lista de algumas das ditas celebridades justas e decentes e chorem comigo, meus amigos:

- Woody Allen, Pedro Almodovar, Wes Anderson, Jean-Jacques Annaud, Asia Argento, Darren Aronofsky, Paul Auster, Monica Bellucci, Penélope Cruz, Alfonso Cuaron, Jonathan Demme, Harrison Ford, Stephen Frears, Terry Gilliam, Alejandro Gonzalez Inarritu, Jeremy Irons, Wong Kar Waï, Milan Kundera, Emir Kusturica, David Lynch, Michael Mann, Sam Mendes, Jeanne Moreau, Mike Nichols, Alexander Payne, Natalie Portman, Salman Rushdie, Martin Scorsese, Steven Soderbergh, Tilda Swinton, Kristin Scott Thomas, Wim Wenders.

Sem querer ser má, mas Woody Allen, quer-se dizer... Quem acaba casado com a filha adoptiva, não há muita volta a dar. Mas tu, Darren Aronofsky? Tens noção do respeito que te tinha? Como é possível alguém com sensibilidade para fazer tantas obras-primas de pura natureza humana estar a favor deste descalabro? Milan Kundera? Tu também, Wong Kar Wai? Tão delicado, tão meigo nos teus retratos de pessoas e suas relações...

Não tenho palavras. E sim, eu sei que isto já está a cair de podre de há tanto tempo que foi o escândalo. Mas continua a ser mais uma demonstração da sociedade no que de mais reles tem e todos temos o dever de lutar contra o que está errado.

E o pior... O pior são as mulheres. Como é que se pode estar a favor de alguém que violou uma adolescente? Uma de nós?! Natalie Portman... Parte-se-me o coração. E a Monica Bellucci parece que não aprendeu nada com o Irréversible.

É quando sou relembrada de coisas destas que fico sem perceber porque gosto tanto de pessoas e acredito tanto que a humanidade, algures muito escondido, tem um fundo bom.

E o que mais me irrita é que, moralmente, eu deveria boicotar esta gente e deixar-me de dar dinheiro aos seus filmes e livros. Mas por muito atrasados mentais que sejam, não foram eles que cometeram um crime hediondo e então aqui sim, se justifica dizer que a arte não é o artista. Mesmo que o meu respeito pelos artistas tenha desaparecido. Já agora, posso sempre desejar-lhes que nunca sofram na pele o que a tal menina de 13 anos sofreu. Estou bastante certa que os seus nomes iam deixar de constar na lista.

MJNuts

Thursday, April 9, 2009

Dance, Monkeys, Dance!

Palavras para quê?


Guess

Wednesday, February 11, 2009

Facadinhas Políticas

Por facadinhas, entenda-se rápidas.

Não acho piada nenhuma ao facto de, em plena crise mundial, o PS e respectivos rebentos (leia-se JS) estejam mais uma vez a distrair a mente dos portugueses do que é importante através do casamento gay. Não é a altura ideal e nenhum elemento ou simpatizante da comunidade LGBT devia orgulhar-se de o assunto voltar a estar na mesa. Mesmo que seja uma mesa hipotética. O portuguesinho retrógado fica chocado, ergue o punho no ar em indignação e esquece-se de se lembrar que outros males se passam...

... Como os 1800 milhões de euros em dívidas que a nacionalização do BPN está a custar aos bolsos in-crise-ados dos contribuintes portugueses. Isto de arrecadar como nossas as dívidas de uma instituição com 700 milhões de euros de prejuízo só podia dar porcaria. Boa jogada, Teixeira dos Santos&Cia.

E agora a eutanásia também vai servir para atirar areia aos olhos dos portugueses?

Sacana do Sócrates é mesmo esperto.

MJNuts

Thursday, December 4, 2008

Prop 8 - The Musical

Para todos os que andam a leste das politiquices americanas, a Proposition 8 foi uma proposta política levada a votos na Califórnia em que se propunha instituir o casamento como apenas válido entre um homem e uma mulher (isto quando o casamento homossexual tinha passado a ser válido havia uns quantos meses apenas). No mesmo dia em que milhões de californianos mostraram uma certa abertura de mentalidades ao eleger Barack Obama para a Casa Branca, uma larga percentagem dessas mentes abertas votou a favor da Proposition 8 e lá se foi o gay marriage da Califórnia. Quando pessoas como a Ellen DeGeneres e a Portia de Rossi já se tinham casado ao abrigo da lei anterior. Além disso, creio que na Flórida e no Arizona, no seguimento desta Proposition 8, mas com leis referentes a estes estados especificamente (à parte da Califórnia, portanto), os homossexuais foram proibidos de se casarem e de adoptarem crianças.

Bem, o casamento gay não é algo que se veja em muitos países do Mundo, mas é curioso ver que os Estados Unidos em vez de manterem uma posição firme, andam para trás e para diante entre o "qué gay ou nã qué?". Ainda não se sabe em que condições legais ficam as pessoas que entretanto se tinham casado, mas alguém há-de certamente tratar disso quando convir.

Entretanto, e como a estupidez é a maior fonte de humor, um número agradável de estrelas reuniu-se numa pequena sátira aos acontecimentos referentes a esta questão... Cantando!



Muito bom de se ver! O meu aplauso para Allison Janney, Will Ferrell, Jack Black, Neil Patrick Harris... E vejo ali umas quantas caras conhecidas cujo nome desconheço, tipo a amiga gordinha da Veronica no Veronica's Closet (acho que a personagem se chamava Olive) e a eterna Elliot de Scrubs.

Por cá, Sócrates inteligentemente instaurou a disciplina de voto contra o casamento homossexual no PS, apesar de ele próprio ser a favor, garantindo a derrota da proposta. Digo inteligentemente, porque seria uma alteração na constituição capaz de lhe custar uns quantos votos (e ele já vai perder uns 200 mil à pala dos professores). Para meu agrado, Manuel Alegre borrifou-se para o partido e manteve a sua posição a favor. Ah, eu tão não dava para ir contra os meus princípios em prol da opinião de grupo!

Não vejo qual é o mal das pessoas se casarem com quem bem entendem... Mas siga largar os assuntos que doem nas cavidades obscuras do cérebro do ser humano comum.

MJNuts

P.S- E já temos 67 posts e pássamos a marca das 20.000 visitas... O Tretas está de parabéns! Obrigada a todos!

Thursday, November 6, 2008

Yey for Obama!

E lá ganhou o excelentíssimo senhor Barack Obama, como o davam a entender as sondagens das últimas semanas!

Fiquei feliz, sim senhora, como preferencialmente democrata que sou. Não me interessa que ele seja negro, tal como não me interessaria se ele fosse amarelo, gay, às bolinhas ou cego de uma orelha (sí! es una broma!). Estou-me pouco lixando para o facto de o 44º Presidente dos Estados Unidos da América ser o primeiro presidente afro-americano daquela nação. O que a mim me interessa é que Barack Obama mostrou ser o que está a faltar àquele que costumava ser a primeira potência mundial sem sombra para objecção. Se me perguntarem, Obama é o que falta por aqueles lados há 8 anos.

Agora é esperar e ver se as suas promessas de campanha se mantêm. Se as tropas são retiradas do Iraque de uma forma faseada (a alegria militar que não deve ter sido...). Se as soluções para a crise são eficazes. Estará Obama à altura das lágrimas de esperança que fez soltar?

Tenho alguma fé. E aqui deixo, devidamente citadas, as partes que considero melhores do seu discurso de aceitação do cargo.

"If there is anyone out there who still doubts that America is a place where all things are possible; who still wonders if the dream of our founders is alive in our time; who still questions the power of our democracy, tonight is your answer."

"It’s the answer spoken by young and old, rich and poor, Democrat and Republican, black, white, Latino, Asian, Native American, gay, straight, disabled and not disabled – Americans who sent a message to the world that we have never been a collection of Red States and Blue States: we are, and always will be, the United States of America."

"It’s been a long time coming, but tonight, because of what we did on this day, in this election, at this defining moment, change has come to America."

"I know you didn’t do this just to win an election and I know you didn’t do it for me. You did it because you understand the enormity of the task that lies ahead. For even as we celebrate tonight, we know the challenges that tomorrow will bring are the greatest of our lifetime – two wars, a planet in peril, the worst financial crisis in a century. Even as we stand here tonight, we know there are brave Americans waking up in the deserts of Iraq and the mountains of Afghanistan to risk their lives for us. There are mothers and fathers who will lie awake after their children fall asleep and wonder how they’ll make the mortgage, or pay their doctor’s bills, or save enough for college."

"This is our chance to answer that call. This is our moment. This is our time – to put our people back to work and open doors of opportunity for our kids; to restore prosperity and promote the cause of peace; to reclaim the American Dream and reaffirm that fundamental truth – that out of many, we are one; that while we breathe, we hope, and where we are met with cynicism, and doubt, and those who tell us that we can’t, we will respond with that timeless creed that sums up the spirit of a people:

Yes We Can. Thank you, God bless you, and may God Bless the United States of America."


Confesso, apesar de tudo, apesar da alegria que vi nos jornalistas portugueses que falavam do assunto, que cobriram a notícia, apesar das lágrimas dos americanos, da humildade de Obama, da promessa de mudança que ele deixou no ar... Mesmo assim, o que mais me marcou neste dia de notícias norte-americanas, foi o discurso de John McCain. A forma como teve de calar as vaias dos seus próprios apoiantes (todos eles definitivamente mais parvos do que o seu candidato!), o modo como aceitou humildemente a derrota e elogiou o seu adversário, a maneira como apelou à América que se unisse a Obama no seu esforço pela nação que ambos os candidatos amam, pois só isso os faz estar ali.



John McCain é, sem dúvida, o republicano por quem nutro mais simpatia, de todos os que os mass media me deram a conhecer. (ouviu, Sr. Bush? Sr. W. Bush? Sr. Nixon?)

Bora lá dar a volta a isto, América!

MJNuts

P.S- Adoro como a multidão presente na altura do discurso de McCain era tudo caucasianos de classe média-alta!xD

Monday, October 20, 2008

Tempestade de 18 de Outubro de 2008

Para aqueles a quem esta terrivelmente bela tempestade de 18 deste mês passou ao lado, gostava de partilhar a minha memorável experiência. Andava eu à cata de aventura e aventura tive eu. Ou melhor, tivemos nós.

Fiz 19 anos no dia 13 de Outubro e, pela primeira vez em 7 anos, decidi voltar a fazer uma festa oficial em que convidei os meus amigos para um belo serão de divertimento. Mal sabia eu que no mesmo dia em que planeara celebrar o meu aniversário, uma tempestade jamais prevista iria virar Lisboa do avesso. Somando a isto, parece que a tão poderosa tempestade foi bastante localizada, concentrando toda a sua ira e magnitude na zona de Sete Rios e Praça de Espanha. Ora eu, sempre fiel ao meu querido Jardim Zoológico, achei que seria engraçado se a celebração lá ocorresse...

A manhã aparentava uma quietude e serenidade pouco valorizadas. Mal se notava a menor brisa e um calor abrasador procurava dizer-nos que o dia estava belo demais, quando tinha sido prevista chuva miudinha para a parte da tarde.

A catástrofe rompeu sem darmos por isso. Numa questão de minutos, grandes aglomerados de nuvens negras cobriram toda a área do Jardim. Começou a cair uma chuva significativa e a minha decisão e dos meus camaradas convidados foi a de correr para casa de banho que se encontrava ali perto. A chuva parou. Pronto, já passou a chuva miudinha, presumi eu na minha negligência e ansiedade de festa. Ordenei que prosseguissemos a nossa marcha, mas, assim que nos colocámos a caminho, uma forte chuvada começou a cair sobre nós. A chuva era grossa e caía com uma agressividade e continuidade de pasmar. Uns correram para uma porta fechada e encolheram-se todos por baixo da ombreira, outros esconderam-se por baixo de folhas de palmeiras e outros ainda começaram a correr em círculos sem saber o que fazer (eu insiro-me neste último grupo).

Felizmente, deram-nos abrigo nos bastidores das aves e lá recuperámos parte do fôlego perdido, enquanto decidíamos o que iríamos fazer. Após alguns minutos, e apesar do descontentamento gerado por alguns, achámos que o melhor seria utilizar uma cobertura de plástico poeirenta e com algumas teias de aranha, que encontrámos num canto daquela humilde barraca, que pingava litros de água por aquele tecto (pobres bichos). O plano era estúpido, mas a verdade, é que ninguém tinha a verdadeira noção do quão violenta estava aquela tempestade que assombrava toda aquela zona.

Quando saímos dos bastidores com as pessoas mais altas a segurarem as pontas do plástico sobre o conjunto de 7 pessoas que se concentrava no centro a pingar de medo, percebemos que a chuva era mais forte que aquilo que podíamos suportar. Começámos a desistir progressivamente. Uns começaram a correr, adiantando-se no caminho e motivando outros elementos do grupo a abandonarem aquela arca de Noé cheia de buracos. O grupo dividiu-se em 3 e, após outros detalhes controversos por entre as pedras de granizo consideravelmente grandes que começaram a cair, o gupo reuniu-se todo no interior da casa de madeira da Foto-Zoo à saída do Jardim.

Lá, estavamos em pânico. Um pânico sempre com um cariz cómico porque toda aquela situação era deveras surreal. Enquanto uns espremiam as roupas, outros mantinham os braços afastados do corpo e as pernas abertas para não sentirem o gelo que os abraçava. Após discussões e gritos controlados, o melhor que achámos fazer foi abandonar aquele local, pois cada vez mais se formava um enorme rio em torno da casa. Os esgotos estavam entupidos e era apenas uma questão de tempo para a água nos alcançar os joelhos. Pelo menos, assim o achávamos.

As traseiras foram o local escolhido para a escapatória, onde um canteiro impedia uma proximidade tão directa com a água. Saltando de abrigo em abrigo, atravessando correntes e rios que inundavam todo o recinto do Jardim Zoológico, conseguimos alcançar a saída para a estrada onde o caos estava à vista de todos. Havia pessoas agarradas aos portões para evitar atravessar a água, carros parados com as rodas cobertas pela água...

"Numa questão de minutos, a água entrou no restaurante como se fosse uma torrente. Nem tivemos tempo de trazer os telemóveis ou as malas. Foi uma grande aflição. Tínhamos a casa cheia de clientes. Velhos e crianças tiveram muita dificuldade em sair já com a água pela cintura. Agora foi pior do que em Fevereiro deste ano",

A chuva parou. Aquilo que durou pouco mais que uma hora tinha deixado a cidade de Lisboa num autêntico caos, que se via nos rostos vazios das pessoas que atravessavam as águas da cidade.

Uma calma fria e silenciosa pousou lentamente sobre Lisboa. Como se tudo tivesse sido lavado e a cidade tivesse ganho uma nova beleza.

Eis um vídeo com imagens chocantes e perturbadoras relativas ao dia da tempestade. Não o aconselho a pessoas com uma sensibilidade extrema sobre catástrofes...




Para informações mais a sério sobre este acontecimento, vão a esta página.

Guess

A MJNuts terá, com certeza, mais histórias para contar relativamente a esta tarde. Também ela se encontrava no Zoo, mas não estava com o grupo quando a tempestade começou. A nós só se juntou mais tarde.

Monday, May 12, 2008

Motivações Masturbatórias

É certo que já todos nós falámos sobre masturbação. É frequente quando somos mais novos e começamos a praticar esta pequena actividade sexual partilhá-la com amigos mais próximos do mesmo sexo, que tenham uma experiência semelhante à nossa. As raparigas falam entre si sobre os resultados da experiência que todas combinaram realizar em suas casas na tarde anterior, e os rapazes, muitas vezes, decidem fecharem-se no quarto e competirem entre si para verem quem consegue executar uma masturbação completa mais vezes. Obviamente, que esta não é a infância de todos nós, mas apenas um pequeno exemplo de recordações que alguns de nós acabam por ter quando crescem e optam por manter mais secreto este pequeno acto privado.

O que muitos de nós não sabem é que podemos chegar a conclusões bastante interessantes quando duas pessoas de sexos opostos partilham as suas experiências masturbatórias agora com uma idade mais decente. Não querendo cair no erro de uma indução ou de uma generalização precipitada, gostaria apenas de partilhar com vocês um pequeno facto (?) que tenho vindo a notar ao longo destas exautisvas trocas de palavras sexuais.

Qualquer pessoa consegue masturbar-se e atingir aquela intensa concretização final estimulando apenas o orgão sexual (por favor, não sou nenhum especialista nesta matéria; batam-me se estiver errado). No entanto, muitos de nós - ou pelo menos, aqueles que têm amor às suas mãos - gostam de apoiar ou, talvez mesmo, intensificar o estímulo sexual, recheando as suas mentes com imagens, fantasias ou cenas sexuais que encaixem perfeitamente com a sua própria definição de sexo perfeito. Com a pornografia somos limitados pela constituição física dos actores e a cena pornográfica que escolheram para nós e, como tal, gostava apenas de falar sobre os caminhos que a nossa mente procura tomar quando queremos intensificar o nosso prazer.

Ao que aparenta, um rapaz (tenha a orientação que tiver; mas tomemos o exemplo de um rapaz heterossexual) utiliza a forma de uma mulher específica para rechear o seu pensamento. Talvez se masturbe com a sua mente na mulher da perfumaria, na professora de Educação Física, na melhor amiga da namorada ou mesmo na Kate Winslet. O rapaz procura conhecer o corpo e mesmo um pouco da própria pessoa que tem em mente para melhor e de forma mais completa poder imaginar a sua situação sexual perfeita. As expressões faciais que apresenta quando está a ter prazer é proveitoso conhecer ou até mesmo se o som da sua voz for possível saber, ainda melhor será para acrescentar uns suspiros ou gemidos mais realistas.

Já com as mulheres, o mesmo não sucede. Como devem calcular, não interroguei nem uma décima das mulheres do mundo, mas, aquelas com quem falei, explicaram-me que o seu pensamento sexual não funciona da forma anteriormente anunciada. Elas não intensificam o seu prazer com caras familiares de pessoas que já viram, mesmo que tenha sido numa revista. A sua mente escapa-se por situações sexuais onde o que realmente importa é o acto em si. A posição, o corpo, a forma como o protagonista (quem se está a masturbar) está, os movimentos, os braços, o calor. No fundo, não existe ninguém em particular no seu pensamento masturbatório. É, de certa forma, um vulto.

É uma conclusão engraçada. No entanto, acredito que haja imensas objecções e excepções. Mais uma vez, não sou nenhum especialista no assunto e, como tal, não me culpem se nenhuma destas definições encaixar em vocês. Trata-se de um pequeno estudo baseado no pequeno grupo de pessoas que me rodeia. Seguidamente, apresento uma gravura um pouco ridícula que demonstra o estudo apresentado. Just for the fun of it.



Guess

Tuesday, May 6, 2008

Não É Só o Álcool que Deixa Sangue nas Estradas

A velocidade também mata.

«The Faster The Speed, The Bigger The Mess»

campanha do Department of Environment Northern Ireland e Ireland's Road Safety Authority, criada pela Lyle Bailie International Limited.

«DOE Permanent Secretary Stephen Peover, jointly launching the campaign, said: “Drivers give countless excuses for driving too fast but nothing can justify the consequences. What can justify the loss of 46 lives and 272 serious injuries on Northern Ireland’s roads last year as a result of excessive speed? How many more times will we have to hear – ‘it was unexpected, there was nothing I could have done – it wasn’t my fault. The truth is that people choose to drive too fast.

«And the faster they drive, the more likely they are to be in a collision - and the more severe that collision is going to be.”

«“Try telling a bereaved family that you were late for a meeting or you were enjoying the drive and thought you could handle the speed. Our message today is simple: combine speed with human error or the unexpected and the consequences will be tragic. We all make mistakes - when it’s your turn, what speed will you be doing?”»

[excerto retirado desta página, acerca da campanha]

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Passei muito tempo a conduzir nas últimas semanas, a maior parte das vezes sozinha, cansada e com trinta mil coisas a passar-me pela cabeça enquanto andava nas estradas. Assusta-me pensar que os disparates que já fiz, por muito pequenos que tenham sido, podiam ter consequências destas. É um medo saudável. Deviamos todos ter esta percepção quando nos sentamos ao volante ou ao lado de quem vai conduzir.

Não é só o álcool que mata. A velocidade excessiva também faz estragos irreparáveis.

Cuidem dos outros, e de vocês também!

Giovanna

Tuesday, April 22, 2008

Kiss Me!

Hoje estive no belo do Zoo, como muitas vezes tenho que estar (e com prazer!) e dei com um panfleto da Campanha EAZA 2007/2008. A sigla da EAZA significa European Association of Zoos and Aquariums e é assim uma espécie de órgão regulador da maior parte dos Jardins Zoológicos do nosso humilde continente. Uma espécie de União Europeia, estão a ver?

Adiante, a Campanha por cá tem o brilhante nome de Kiss Me!, em alusão às velhas histórias em que as princesas beijavam sapos e saíam de lá homens à séria. Obviamente que isto seria muito levezinho e pouco relevante, por isso também salta à vista o Anfíbios: Alarme. Reparo agora que ainda não fui muito específica, por isso vamos lá corrigir a falha.

Todos os anos, a EAZA tem diferentes Campanhas que dizem respeito a diferentes classes, ordens, famílias de animais ou até mesmo apenas um animal específico. Estas Campanhas são Campanhas de Conservação, ou seja, visam ajudar, através da obtenção de fundos, da criação de consciência ambiental, a manter vivas as diferentes espécies, hoje em dia tão ameaçadas pela extinção.

Este ano calhou aos nossos amigos Anfíbios! Que, muito genericamente, costumam ser sapos e rãs, às vezes salamandras, em suma, são animais de pele nua, o que quer dizer que conseguem respirar pela pele, além dos pulmões, e por isso precisam de viver em ambientes húmidos e com água por perto. Geralmente, sofrem metamorfoses até atingir a forma adulta.

Confesso não ser grande conhecedora de Anfíbios, embora os ache uma classe de animais bastante interessante. Mas como não os há muito no Zoo e o que está mais próximo é o que mais se aprende, é uma falha na minha cultura animal.

Seja como for, lendo o panfleto descobri umas quantas coisas que me entristeceram...

Antes de mais, a crise de Conservação dos Anfíbios é a maior crise de Conservação desde a Era dos Dinossauros! E toda a gente sabe como esses acabaram...

Principais motivos de extinção dos Anfíbios: destruição do habitat; captura para comércio ilegal de espécies exóticas, alimentação, medicina tradicional; quitridiomicose, doença provocada por um fungo mortal para os Anfíbios, que se tem propagado com maior intensidade devido ao aquecimento global. Parece-me óbvio que TODOS estes motivos estão directamente relacionados com a acção humana.

Acredito que muita gente só encha o olho com animais fofinhos, como o são grande parte dos Mamíferos, mas a verdade é que se existem Anfíbios, é porque têm papel crucial nos ecossistemas da Terra.

Ajudem a salvar estes animais. Vão ao Zoo, participem na Campanha, contribuam com o que puderem, todas as ajudas são bem-vindas. E muito agradecidas!

Para mais informações, podem sempre dar uma saltada aqui. Mas fica então a informação que já se vai tornando velha, que a Humanidade está a destruir mais uns quantos exemplares de bicharada...

"Ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada,
só porque podia fazer muito pouco."
Edmund Burke

MJNuts

P.S.- Desculpem lá, este post mais parece uma mensagem de intervenção ou algo do género, mas fiquei mesmo alarmada com a situação dos Anfíbios, que na minha inocência, julguei menos preocupante...

Monday, September 24, 2007

Submundo Gay

Sendo este um blog onde nenhum assunto é tabu, mais tarde ou mais cedo, a homossexualidade seria aqui tratada. Não pretendo aborrecer ninguém com conversas sobre a natureza da homossexualidade ou a discriminação que existe - para isso já nos chegam os filmes, os livros, as reportagens ou aqueles documentários aborrecidos e irrelevantes, que começam a crescer em quantidade notória.

A forma como as pessoas lidam com aqueles designados por gays tem vindo a sofrer constantes alterações ao longo dos tempos. Embora agora as pessoas sejam mais racionais (não é?) e já não olhem a SIDA como uma doença demoníaca exclusiva dos homossexuais, a verdade é que parece que haverá para todo o sempre um conflito e um preconceito entre os heterossexuais e os homossexuais - perdoem-me por estar a usar imensos rótulos para designar as pessoas, mas não há outra forma de tratar este assunto.

Pergunto-me se este preconceito notório será motivo suficiente para levar homossexuais a criarem um submundo gay onde se possam refugiar. Clubes, bares, discotecas e até mesmo bairros inteiros. Cada vez é maior o número de espaços e locais onde, embora não exista nenhuma exclusividade para gays, a presença destes é de tal modo esmagadora que passam a ser os seus territórios, por assim dizer. Pessoalmente, conheço até pessoas que, após se assumirem e terem visitado, inocentemente, alguns desses locais tão tipicamente gays, não procuram mais outra coisa.

A verdade é que compreendo a sua opção e a sua atitude. De certa forma, é uma auto-defesa a criação de locais onde sintam que podem dançar, andar e agir como querem e lhes bem apetece sem sentirem que estão a ser julgados e apontados. No entanto, o seu afastamento da maioria da sociedade em busca de conforto aumenta ainda mais a profundidade do foço que existe entre gays e heteros. Será vantajosa ou realmente necessária a criação destes lugares? Quero dizer, não existem discotecas que sejam nomeadamente para heterossexuais. Ninguém conhece uma discoteca por ser visitada por heterossexuais. No entanto, existem inúmeras discotecas gay que assim são assim referidas.

Não tomo nenhum partido. A minha opinião é "neutra". Queria saber a vossa.



A famosa discoteca gay em Lisboa no Rato - Trumps.


Guess

Monday, March 26, 2007

E o Maior Português de Sempre é... O Drama, o Horror!

Quem teve a excelente ideia de levar a concurso personalidades históricas portuguesas e pôr os tugas a escolher o melhor de entre essas personalidades? É que está claro que tinha de sair asneira!

Primeiro porque no Top 100 apareceram, imagine-se!, elementos representativos dessa praga que são os Morangos com Açúcar e depois porque uma percentagem vagamente vergonhosa eram personalidades oriundas do futebol. Oh meus amigos, tenham paciência! Aceito o Eusébio porque transportou o nome de Portugal além fronteiras numa época em que o país se encontrava encerrado em si mesmo, mas daí a ter Cristianos e Mourinhos e afins como Grandes Portugueses? Dar pontapés em bolas não exige grandeza!

É claro que tudo isso até é desculpável. A lista dos Dez Melhores Portugueses era bastante atractiva, recheada de personagens históricas magníficas e curiosamente lady-free.

Os Descobrimentos estavam amplamente representados: D. João II (um dos meus preferidos, nunca hei-de perceber a minha panca por este rei), Vasco da Gama, Infante D. Henrique e até Camões se pode colocar neste lote dados os seus Lusíadas. O meu predilectíssimo Pessoa também por lá andava e depois a lista completava-se com esse grande e polémico senhor que foi o Marquês de Pombal ou Sebastião José de Carvalho e Melo, D. Afonso Henriques (ah, um homem à séria! com complexo de Édipo e tudo!) e os homens do século XX: o diplomata Aristides de Sousa Mendes, o camarada Álvaro Cunhal e o representante hitleriano, perdão franquista, ou era mesmo estalinista? em Portugal, Salazar.

Ao que parece, os portugueses largaram finalmente as glórias passadas dos Descobrimentos e voltaram-se para o século XX! Yey para os portugueses a deixarem de ser saudosistas!

Confesso que na minha infinita ignorância de Não-Bela e ainda por cima sem Mestre, desconhecia Aristides de Sousa Mendes até ver este programa. Fico feliz pela sua inclusão neste top com o prestigiado 3º posto. Significa que os portugueses viram A Lista de Schindler e fizeram o paralelismo. Se um é boa pessoa, o outro também deve ser. Ou isso ou o Júdice fez uma boa campanha publicitária.

Mas não devo ser má. Aristides de Sousa Mendes foi mesmo o melhor que aconteceu a este top3! Passemos à análise do 2º lugar.

E o Grande Português com sobrancelhas mais farfalhudas de sempre é... Álvaro Cunhal! Clap clap clap! Não me levem a mal, eu até sou tendeciosamente à esquerda, todos os jovens irreverentes e sonhadores tendem a sê-lo e depois com a experiência viram à direita, enfim. Mas digamos que Álvaro Cunhal, quer dizer... Era daqueles homens basicamente quadrados. Era tão obcecado com o seu ideal comunista que era incapaz de ver como funcionava a sua doutrina na prática. Ou de como não funcionava, para sermos francos. Porque o comunismo como ideal é belíssimo. E utópico, claramente. Cunhal mais depressa quebrava do que dobrava. Teve um papel importante na Revolução de Abril, teve um papel importante na manutenção da esperança durante os anos negros do século XX português. Tudo bem, aceito. Não me agrada, mas aceito.

E agora com toda a pompa e circunstância, o Maior Português de sempre é... António de Oliveira Salazar!

Esse mesmo! Esse que morreu por causa de uma cadeira e criou prisões políticas e tinha uma polícia engraçada que era a PIDE. Esse que não permitia a liberdade de expressão e que ganhava eleições sem concorrência e com mortos a votar. Esse senhor que atrasou o nosso país uns bons 20 ou 30 anos em relação aos nossos parceiros europeus.

Esse homem do fascismo e da ditadura! Esse homem que merece ser aplaudido e celebrado! Faça-se makumba para que regresse do túmulo e ocupe o lugar do Sócrates!

Para sermos honestos, ele fez boas coisas nos tempos em que foi Ministro das Finanças. Ele aí, realmente, levantou o país das cinzas. O resto é que já dispensávamos, muito obrigada.

Salazar ganhou com 41% dos votos, ficando Cunhal com 19% e todos os restantes com percentagens bastante abaixo destas.

Não sei que se passará na cabeça dos portugueses para elegerem um ditador como o Maior Português... Se foi um grito de revolta contra os tempos que correm, podiam ter escolhido um que nos desse menos mau aspecto internacionalmente!

Ora aqui está, o ser português! Pára tudo com o futebol, homens com barriga de cerveja, mulheres com bigode mas obcecadas com depilação e a cereja no topo do bolo! Português à séria é o que manda comer, calar e oprimir!

MJNuts (na ressaca da derrota do seu Pessoazinho...)