Sabem aqueles momentos em que precisam desesperadamente que uma música se enquadre no que sentem e não a encontram? Será que isto acontece muitas vezes? Será que já aconteceu a alguém? Não sei, mas está a acontecer-me agora e só me faz sentir mais confusa e sozinha e com vontade de expulsar da cabeça o que insiste em espreitar no coração.
Estás, Música? Porque só pequenas partes de ti me servem?
"Still the wanting comes in waves"
"Oh this feeling, I've known you to be hidden, but I find you barely breathing, still holding on"
"Quem é mais sentimental que eu?"
"Everybody, everybody just wanna fall in love"
"Help, I'm alive, my heart keeps beating like a hammer"
"Oh you bloody mother fucking asshole"
"Get me a lover who will leave my head alone"
"You got me off the sofa, just sprang out of the air, the best things come from nowhere"
"I'm trying not to think about you, can't you just let me be?"
Não sei se deram por isso, mas este é o meu post n.º 100. Não que isso seja motivo de orgulho, considerando que o Tretas tem quase 3 anos de idade, mas 100 é sempre um número redondo que se gosta de festejar. E bem, eu queria festejá-lo com um post ridículo e repleto de tretas, provavelmente a partilhar um manual de instruções da máquina de incoerência que sou eu.
Mas o Michael Jackson morreu. E o Michael Jackson foi um artista que me acompanhou ao longo da vida. Como fã, desde os 11/12 anos. Não sou fã acérrima nem nada que se pareça, mas vos digo aqui que era o único artista no Mundo por quem eu seria capaz de dar mais de 40€ para ver em concerto. Dito isto, é curioso que o único artista por quem eu faria tal coisa, seja também o único capaz de fazer esgotar 50 datas de concertos na mesma cidade. Será que tu também lá chegavas, Madonna?
Não me vou perder em considerações pessoais do que o homem fez ou deixou de fazer, do quão estranho ou solitário era. Para mim, o que interessa é a música. E confesso que a minha tendência foi sempre acreditar no Michael Jackson, por isso não quero entrar em debates filosóficos sobre os momentos chocantes da vida dele.
Celebremos a música.
A 1ª que ouvi dele foi a Earth Song. Devia ter os meus 8 anos, estava no carro a caminho do Alentejo, era de noite e lembro-me como se fosse hoje. Os "ah ah ahhhh" penetraram-me o cérebro e por lá ficaram, a habitar as profundezas, ao ponto de eu nas noites que se seguiram, ao deitar-me, fechar os olhos e ouvir claramente aquela voz, ainda desconhecida, na minha cabeça. Ao ponto de, alguns anos mais tarde, reconhecer aqueles "ah ah ahhhh" vindos de uma televisão e conhecer, finalmente, o Michael Jackson.
Esta é, ainda hoje, uma das minhas músicas preferidas dele. E um dos meus videoclips preferidos de sempre, por ter um tema que me toca tão profundamente.
Mas há muita música do Michael que adoro e há que convir que os videoclips dele eram tão obras-primas como os respectivos singles. Mantendo a temática da Terra, há o so-very-sweet Heal the World, que não me diz tanto, mas que me faz sorrir. Tentaste, Michael, eu sei que sim.
Eu tenho um guilty pleasure Jacksoniano que não sei se é partilhado por muita gente, mas aqui vos ofereço um pouco da minha sensação agridoce de amor por Who Is It. Adoro a música, mas não percebo. Quem te magoou, Michael? E o videoclip é, na minha opinião, estrondoso.
Há duas outras que me são bastante pessoais. Have You Seen My Childhood? e Stranger in Moscow. A primeira porque eu sou, declaradamente, uma pessoa que não fez muito bem a passagem para a idade adulta (e porque me diagnosticariam com Síndrome de Peter Pan?). Ando para aqui num limbo estúpido. A segunda porque se encaixa demasiado bem em tantos momentos de solidão e dúvidas existenciais.
Escusado será dizer que ambos os vídeos são fabulosos. Fly to Neverland, kids! E o clip de Stranger in Moscow na altura foi pioneiro em algumas das técnicas utilizadas.
É verdade, sim. A maior parte das pessoas elogia o Michael Jackson pelos seus hits (muito) antigos, mas eu sou moça de apreciar a glória do Michael dos 90. Obviamente que adoro uma quantidade imensa de singles dos primórdios!
Tipo este:
Também sou bastante aficcionada deste aqui:
E adoooooro esta:
E podíamos continuar noite dentro comigo a destilar oldies preferidos do Michael. Mas eu realmente sou moça dos 90s, foi neles que cresci, e quero dar-vos overdose disso. Antes de enveredarmos pelos excelentes singles com maravilhosos clips que todos achamos de génio, só uma pequena nota para dizer que uma das minhas músicas preferidas do Michael nem sequer é single e passou ao lado de muita gente. Mas vale a pena: Little Susie. Arrepiante.
Listemos os restantes pedaços de Deus que caíram sobre o Michael:
1.In the Closet (sou só eu que acho esta música imensamente sexy?)
2.They Don't Care About Us (esta música, e ambas as versões do seu videoclip, são absolutamente avassaladoras! e estou a ficar sem adjectivos, estou...)
Já vai algum tempo desde que postei alguma coisa que se parecesse remotamente com um top musical. E pensar que nos primórdios deste blog prometi que o faria mensalmente... Mas bem, a verdade é que a vontade de ouvir música me abandonou por algum tempo. Muito tempo, até. Ao ponto de o meu mp3 ter pifado e eu não sentir a mínima necessidade de o substituir. O silêncio nos transportes públicos não é assim tão mau.
Mas pronto, seja lá o que for que me deu, a música voltou a entrar em mim. Bem-vinda sejas! E aqui ficam alguns exemplares de amores modernos...
E bem, só porque este blog também é meu e porque isto vai mal de posts e eu posso postar sobre o que me apetecer...
Apresento-vos a Olivia Spencer:
E a Natalia Rivera:
They look great together, don't they?
Também vos posso apresentar a Jessica Leccia e a Crystal Chappell...
Outra vez, vá... Crystal Chappell:
Jessica Leccia:
E bem, a Jessica Leccia está grávida, o que pode ser um pouco chato na hora de contar uma história que NÃO envolve gravidezes... Mas digam lá, esta mulher não brilha? Agora já sei o que querem dizer as pessoas com aquela conversa do brilho das grávidas.
E sim, estas malonas exageradamente grandes servem para tentar disfarçar a criança de 5 quilos que deve andar ali por dentro!
Porque estou eu carregando este post de fotos destas duas senhoras? Porque hoje estou assim fútil e os sótãos também têm direito a ser agraciados com belezas naturais.
Também ajuda que a história destas duas mulheres seja a mais bonita história de amor que alguma vez vi na televisão. Bem, no meu caso, no YouTube. Mas vocês percebem. Queria também que soubessem o ridículo de a melhor história de amor da televisão actual estar numa novela. Numa telenovela. Soap opera. Americana. A sério. É patético. Parece que afinal aquela ideia absolutamente pavorosa de uma novela durar anos a fio tem o seu lado positivo. A novela chama-se Guiding Light, já agora. E é apenas o programa de TV com maior duração de sempre (no ar desde 1952!).
Voltando ao que interessa, eu fiquei realmente espantada por de facto levar a sério duas personagens de novela. Mais do que levar a sério, passei a adorá-las. Às duas. Sem saber bem qual delas gosto mais, o que é raro e estranho em mim. Mas a sério, como é possível resistir a estes olhos?
E a estas covinhas?
Nope. De facto não apetece escrever. As imagens falam por si. Nem por isso. Não para o que quero dizer.
E o que quero dizer é que, num meio inesperado - o das telenovelas, e entre duas personagens antagónicas, nasceu o amor. Nasceu devagar e em circunstâncias inesperadas. Passaram de se odiarem a tolerarem-se. De se tolerarem, passou a uma entreajuda frequente e daí à amizade foram mais uns passos. Na amizade, tudo se começou a confundir e os sentimentos cresceram. Tudo isto num passo lento, cuidado, enquanto vemos desenrolar diante dos nossos olhos um amor imenso que aparece sob tantas formas que já nem sabemos o que é o quê... Nem elas sabem, aliás.
Os meus genes shippers não se importam com pormenores. Podíamos estar a falar de um cão apaixonado por um elefante, desde que isso fosse bonito. São duas mulheres? São, sim senhora! O amor não escolhe sexos nem idades nem estratos sociais nem religiões... Aparece e pronto. Pontapé já nos rótulos mentais que se devem ter formado nas vossas cabecinhas! É só uma história de amor entre duas pessoas que se redescobriram e encontraram paz uma na outra. And it's so freaking cute and beautiful and sweet and sexy that I can't stop smiling when they're on my screen! Go, Otalia!
Vídeo de apresentação:
É só um music video fofinho. Podia apostar em algo mais cómico, mas temo os spoilers e não quero estragar as surpresas à alma solitária que resolver arriscar experimentar depois deste meu muito pouco convincente post em que acho que consegui mostrar total ausência de pensamentos coerentes. Não interessa. É uma história de amor que vale a pena, era só essa a mensagem que queria passar.
Caso vos dê o aborrecimento total e queiram experimentar (perigo de vício), deixo o link da minha playlist Otalia no YouTube. Sim, sim, mais um vício à MJNuts, a juntar a outros tantos ships e outras tantas séries... Está por ordem cronológica, portanto não há como não perceber o que se passa.
Peço desculpa por esta parafernália de divagações. Ah, as liberdades bloguísticas...
MJNuts
P.S.- Já referi que a Olivia tem uma filha?
Emma ou Jellybean para a mãe e os fãs. Não posso esquecer de referir que esta é uma história de amor que vai além do desejo e das paixões fast-food tão características dos dias de hoje... Na realidade ou na ficção. Otalia pode ser exasperadamente lento por vezes, mas é uma história que tem os bons valores e princípios no sítio certo. E é também sobre a família.
My mouth tastes like alcohol. When my lips are wet, I feel the sweetness of the drinks unnamed, but then I breathe in and breathe out and my tongue, my teeth become dry and my breath is sour.
I close my eyes and go back. I go back to the moment when I decided to get drunk. I see myself drinking without caring and it feels good, but it is not enough. I need more. But we stop and go away, change places.
When I drink, people are beautiful. I'm attracted to people I was never attracted before. I don't care if they're boys or girls, if they're too old or too young. I just want to kiss someone.
I'm flirty. I never hit on anybody, because that's not me. I flirt and I tease and I'm a tease, because how can I not be a tease when I'm not sure of what I want?
My head is light, but the alcohol is vanishing. I need more. "You have to pay to enter the bar." I will pay if it's not too much, I will pay if whatever I pay, I drink.
Two shots. I asked for the strongest, but they don't taste that strong. So I flirt and the bartender complies. "I'll give you four, if you buy two." And the guys buy me the drinks and I drink another two shots in a row.
It takes a little while for the effect to fall upon me. I share the flavoured Marocco tobacco with the boys, but it's banana and I'm not fond of banana and the taste is too subtle... I don't care. I like the smoke. I like its warmth inside my mouth. I like the way it flows around my head, the way it goes up, the way it leaves my lips and my nose. I love the way it dances around me, the way it seduces me.
I close my eyes and all I see is the glasses in front of me. The glasses full of alcohol that is now strong, but that doesn't taste good anymore. I have a vague notion of the atmosphere, of the voices, of the colours surrounding me, but I don't care. The liquid is greenish, yet transparent. It's beautiful. It should taste good. Shouldn't it?
I like the guy next to me. You look great when I'm fucked up. I like his weight on my leg. I like his hoarse voice. I like his head and the way he smiles. But though drunk, I'm over-conscious and I hate the thought of intimacy in front of others. What intimacy? It wouldn't be intimate. I'd only like a kiss. A peck, really. It's a shame I'm not really into him or I'd give it a try.
And it strikes me then. Why it is that some people just go around fucking everyone else. The glamour of that life seems obvious. I suddenly realise how easy it would be to live like that. I somehow wish I was made that way. I pause. And then I believe I could be like that, if I wanted to. But now is not the time to start living that way.
It grows too hot where I'm seated and I need to leave. People are warm and I need the cold. I stand up and go to the bathroom. I pee. Fortunately or unfortunately, I'm ever the conscious drunk. I never forget. I never let go of the sober me. I know everything. I sit down on the floor and then lie down and then sit again.
For a moment there, I understand why people become addicted. Why there are people getting drunk every week, every day. Why there are people getting high. It's all too easy. The mind focuses on the good things and the responsabilities are forgotten. The body half-controlled feels funny.
A girl comes in and asks if everything's alright with me. She's blonde, I don't really see her well, I don't know if she's pretty. But I love her anyway. If someone asked me what my favourite gesture is, I'd say kindness to strangers. I tell her I'm ok, that I just need to feel the cold and she smiles and goes away.
I get up and wash my face, my mouth. How can a liquid make you feel so dry? How can something so sweet suck up all the sugar in your body?
I go back to my place, between the boys. But it's still too hot and I don't feel good. The bathroom is safer. The bathroom floor is perfect. I love the cold under my bare arms. And I suddenly remember why I don't like alcohol, why I hadn't drink for so long. Alcohol is heavy and inconstant. You drink too little, it's meaningless, you drink too much, it becomes painful.
It's not painful, yet. It's just no fun anymore. And I grow weary of the people around me and I find them pathetic. Most of them. I still like the boys, the ones I never cared about. But it makes no sense to me that all that these people have in common is the place where they work. And it disgusts me.
We leave. I have lost my card, I should pay a fee for that. But the bartender is feeling guilty and says my shots are on the house. The night is ending and I haven't spent a cent. I secretly smile. He's an idiot. He shouldn't feel guilty over other people's irresponsabilities. Had I been sober, I'd have gone back and give him the money. I pay my dues.
I need water. Not to drink, but to wet my mouth. There's this guy. He's older, but he's nice. And he's being kinder than I ever recall him being. He goes back inside the bar, brings me a bottle of water. I wonder if he paid for that. I rinse my teeth. If I drink the water, my stomach won't like it.
Time to go. I hate the idea of being inside a car now. She drives and drives and I think I fall asleep, but then I wake up and need to leave the car. I leave, I feel the fresh air and my mouth is dry again. So dry. I need water and I'm ready again.
Another endless ride in the car and I need to stop another time, sadly only two minutes before I get home. I need water, I need fresh air. I throw up, but I don't care. "Her hair, her forehead!" I don't need to be taken care of. I'm ok. For the first time in my drinking experience, I'm lonely. Is this what independence feels like? You can feel like shit and don't need anyone? It's funny how they probably think they're taking care of me, yet oddly I'm doing everything by myself. I know what to do and when to do it. But I needed the ride home.
Ironically, I don't know why, I say I'm not ready to be alone. Guess it's the habit. I prevent someone from going home over that. Stupid. Because I only lie on my kitchen floor, then throw up in the sink, clean everything up and go to bed. And he never has to do anything except my shift, the next morning.
The worst part about drinking is the shame and the guilt. I don't feel ashamed nor guilty. I didn't do anything wrong and I don't care what people will think of me. I'm tired of judgements. I'm tired of self-righteousness.I'm tired.
I know where I stand now.And I'm even more deeply aware of why I couldn't stand to live beyond my thirties. I need to feel something, anything. And the time is running out.
All I ever did in the past five years has brought me this far. All I ever wanted was to be able to do everything on my own. Now I don't need people because I have to. Now I need people because it's better with them.
With great power, comes great responsability. With freedom, comes loneliness.
Meus caros fiéis do Tretas! Eu sei, eu sei, isto aqui anda já a ganhar um pouco de pó, mas nós, por estes lados, não colaboramos com as limpezas de Primavera. Aliás, funciona até um bocado ao contrário. A Primavera traz-nos situações, emoções e muitos bichinhos, que nos distraem das nossas outras rotinas, como esta do nosso estimado santuário. É da Primavera, é o que dizem.
Não vos trago palavras de um post importante ou sequer interessante, mas achei que era impensável não partilhar com vocês a conquista de mais um objectivo de vida por parte do vosso morcego. Nada daqueles grandes marcos que se luta toda a vida para alcançar - até porque desses, não tenho nenhum -, mas daqueles pequenos doces da vida que gosto sempre de apanhar. Como ir nadar para uma praia nu, durante a noite. Esse já o concretizei o ano passado. Com muito gosto!
Pois bem, desde que vim morar para o Parque das Nações que sempre tive o desejo secreto de subir até ao alto da Torre da Galp. Já ouviram falar dela? Para quem não conhece este monumento, aqui está ele...
Sim, todos os bons frequentadores do Parque das Nações já viram esta pila enorme, que tão pouco parece ter a ver com os prédios que a rodeiam. Se bem se lembram, o Parque das Nações, antes de ser a Expo '98, era um parque industrial ou melhor, uma autêntica lixeira. Mas nem tudo foi derrubado. Como tal, em homenagem à fábrica da Galp que aqui existia, decidiu-se deixar erguida a famosa torre, que era conhecida pela chama constante que saía da chaminé mais alta. Já estou a fugir ao assunto.
Tantos dias passei eu por ela e me imaginei a subi-la na minha ânsia de rapaz armado em rebelde, que gosta de fazer coisas ilegais. Sim, porque aquilo tem um portão com grades, que não deixa qualquer margem para dúvidas de que se trata de uma propriedade privada com acesso interdito. Foi hoje o dia.
E tão feliz estou eu por ter partilhado a subida com a nossa... não, hoje, é minha... com a minha MJNuts. A subida foi longa e não tão cansativa como esperaria que fosse, mas a vista soberba que lá em cima habita valeu a pena todos os degraus ultrapassados. Acredito mesmo que seja o ponto mais alto do Parque das Nações e é lindo. A zona é bonita vista de cima. Percebem-se melhor as formas e os encaixes dos edifícios uns nos outros.
Durante o descanso merecido, no topo da torre, houve as partilhas. A conversa surge fluentemente, ajudada por aquela brisa forte e brutal, mas nem por isso desconfortável. No entanto, nem foi preciso tagarelar muito. Como eu adoro estar com alguém onde o silêncio é sempre bem recebido. O dia de hoje reforçou um pensamento que já vagueia pela minha cabeça há muito tempo...
Como era bom haver um mundo sem palavras. Um mundo onde a comunicação fosse feita através de todas as maneiras possíveis, sem usar as mesmas palavras aborrecidas, que procuram sempre expressar e descrever até à exaustão tudo aquilo que se está a sentir.
Meus amigos, é tudo. Foi uma tarde agradável. E silêncio é muito bom.
Não vou sequer perder tempo com olás ou introduções ao que pretendo escrever. Eu preciso mesmo de deixar aqui uma nota qualquer sobre aquilo que me anda a moer o juízo ultimamente. E perdoem-me a minha linguagem descuidada e, possivelmente, contraditória, mas não estou a conseguir organizar correctamente as ideias na minha cabeça.
Alguns já o devem saber. Os que não sabem têm que ficar a saber que um idiota chamado Nuno Gonçalves (pertencia à banda The Gift) decidiu que estava farto de bater umas pívias em casa e achou por bem começar um projecto ao qual designou Amália Hoje. O projecto tem por base pegar no fado que a Amália Rodrigues cantou e adaptá-lo para uma versão mais pop. E quem mais poderia cantar esta piroseira desnecessária se não a Sónia Tavares, a vocalista dos The Gift!! Como se não bastasse o projecto ser improfícuo e escusado, ainda escolhem aquela mulher, que, claramente, deve estar desejosa para pegar no fado e transformá-lo naquelas coisas que ela canta, com aquela sua voz estranha tão típica da sua pessoa. Ainda para mais, já muitos que a viram deambular pelas ruas me disseram que a mulher tresanda a antipatia e gosta de dar nas vistas com o seu ar snob. Nunca na vida é uma criatura destas merecedora de cantar os versos da Amália.
A ideia é atrair uma massa maior de gente e eu percebo a tentativa. A maioria dos jovens de hoje tem uns gostos que deixam um pouco a desejar e é necessário que a música se adapte às novas preferências deles se quer ser vendida - mas isto é lógico. No entanto, não acho justo estarem a usar o fado para este esquema comercial. Quem não gosta do fado genuíno, daquele fado mesmo fado, que canta a crueldade dos dias e a solidão das noites, acompanhado pelo gemido da guitarra portuguesa, não gosta e pronto! Não podemos agradar a gregos e a troianos. Custa-me a mim ver as palavras que a Amália escreveu, e que vieram lá bem do fundo da sua alma, na boca da Sónia Tavares.
Ainda só saiu um single deste álbum que está para breve e, a verdade, é que está a fazer um sucesso tremendo. Quase toda a gente está a gostar desta nova vertente, que puxa o fado das ruas e becos de Alfama para a MTV Portugal.
O problema maior reside no facto de aqui o vosso morcego estar confuso. Sejamos francos, não é como se este projecto fosse capaz de pôr de lado o fado tradicional português. E será que a música é assim tão feia quanto isso? A mim entristece-me saber que a minha mãe - pessoa que sempre deu valor ao fado e preservou na sua memória para sempre a letra do Povo Que Lavas No Rio, que a comove de uma maneira inexplicável - prefere o single da Sónia Tavares à versão original! É preciso dizer que este single é uma adaptação da Gaivota. Da Gaivota!! Podiam ao menos ter pegado em cantigas menos presentes em mim. Se ainda não sabem, fiquem a saber que aGaivota é o meu fado preferido, depois do Lavava no Rio Lavava, claro. Mais pessoas partilharam comigo que a instrumental da nova versão não é má de todo, mas a mim faz-me confusão.
A verdade é que, de tantas vezes ter ouvido a música, sinto que começo a deixar de desgostar dela. Amália, perdoa-me. Sei que deves estar a berrar na tua campa, mas há um poder qualquer estranho naquela nova versão. Deve ser aquela voz absorvente que a Sónia tem.Mas mesmo se houver uma parte de mim que gosta daquela música horrenda, uma parte muito pequena e insignificante, fica sabendo, Amália, que o fado que abraça o meu coração pertence a ti e a mais ninguém.
Meus caros, dramático como sou (you know me), fui ainda mais longe e fiz uma montagem que tem as duas versões do fado da Gaivota a disputarem uma com a outra. Sejam vocês os juízes:
Sei que podemos ver isto como duas músicas diferentes, mas se aquela gaja continua a cantar os fados da Amália daquela maneira eu não me calo por essas ruas fora. E ai dela que toque no Lavava no Rio Lavava. E agora mete-me pena e fico de coração partido naquela parte do vídeo em que a Amália está calada a ouvir a outra parva, que não percebe que o fado não pode ser cantado daquela maneira.
Guess P.S.: Ah! A minha mãe já anda por aí a dizer que vai comprar o CD da Sónia Tavares quando sair! Eu não dou permissão, nem pensar!
Caros leitores do Tretas e meus adorados actores, boas notícias trago às vossas casas acolhedoras - o projecto Pequenas Caixas está já finalizado.
Para aqueles que não fazem a mínima ideia o que é este projecto, fiquem a conhecer a curta-metragem que tive que realizar para a minha cadeira de Realização naquela escola cujo-nome-não-deve-ser-pronunciado e já foi referido aqui.
Quis eu criar uma história de protesto ao regime fascista que existe na minha escola e o resultado foi uma pequena sociedade isolada do mundo, abandonada num determinado lugar, obrigada a viver num padrão de igualdade, como objectos. No entanto, a minha mensagem é uma de esperança. Pois basta haver uma só alma que decide não se conformar com aquilo que lhe é imposto para mover os restantes sofredores e instaurar uma revolução justa e necessária.
Durante os poucos anos que habitei este mundo, sempre tive alguns problemas em lidar com aquilo que eu era e aquilo que queriam que eu fosse. A parte de mim que entrego com este filme é aquela que diz não me vou nunca esquecer que me chamo André Martins.
Queria só deixar, mais uma vez, a minha eterna gratidão a todos aqueles que estiveram presentes naquele domingo caloroso em que filmámos a curta. Muito mais que excelentes actores, foram verdadeiros amigos. Uns tiveram que faltar ao trabalho, outros tinham exame no dia seguinte, outros estavam de directa por terem trabalhado durante a noite, outros tinham assuntos bem mais importantes a tratar, mas estiveram todos lá e sei que não sou o único que se orgulha daquilo que foi conseguido. Obrigado. Foi um dia importante.
E agora, sem mais demoras, eis o pequeno conto:
Meus amigos-actores, eu entrego-vos, depois, um CD com uma cópia com melhor qualidade para a poderem guardar para vocês. Guess
Queria partilhar uma coisa convosco. Não sou uma pessoa medrosa ou mariquinhas por natureza. Verdade, sou ligeiramente hipocondríaca, mas fora isso, não tenho medo de aranhas nem de abelhas nem de cobras, não sofro de vertigens, não mudo de passeio ou de carruagem quando vejo um bando de mitras... Enfim, sou despreocupada com assuntos medrosos em geral. Mas há uma coisa que me assusta terrivelmente e que é o que eu tenho de mais próximo de uma fobia: carraças. Será que existe um nome estilo carraçofobia?
É verdade. Eu, que trabalho no Zoo. Eu, que lido com animais diariamente e tenho uma bicha em casa. Eu, que passo imenso tempo no campo. Parece que o mundo inteiro se uniu para me tramar.
Ora pois como o Universo é lixado e gosta de nos pôr a enfrentar medos, há que dizer que já tive vários encontros de primeiríssimo grau com este... erm... parasita. Obviamente que já vi muitas carraças em cães, mas isso é normal. Também já fui pior do que sou agora. Antes de trabalhar numa clínica veterinária (que me ajudou e bem a enfrentar este receio sem sentido), se via que um cão tinha uma carraça ou uma pulga, saltava três metros para trás com ar de pânico, como a Kawaii certamente poderá testemeunhar. Agora já sou mais controlada.
E ainda bem. Porque depois de sentir uma carraça a subir-me pela cara até ao cabelo e alguém ma apanhar e atirá-la para a lareira, depois de sentir uma carraça no joelho e tirar as calças no meio da casa de estranhos e sacudi-las que nem uma louca na varanda... Eu esperava que não tivesse mais histórias de carraças para contar. Parece que estava enganada. Bem dizia o meu pai que o meu sangue deve ser doce!
Na péssima e ranhosa noite que hoje passou, em que pouco ou nada dormi (mas em que apaguei luzes e desliguei PC histérica de alegria porque D.E.B.S. é um fartote de rir que só visto!), de manhã fui forçada a sair da cama quando sinto uma comichão na parte interna da coxa e, ao levar lá a mão, apercebo-me logo que ali há bicho!
Há anos que não sentia tanto medo! Foi lançar a carraça pela pia abaixo e enfiar-me na banheira durante uma eternidade, a esfregar-me violentamente e a pôr a depilação em dia! Ainda bem que a minha mãe estava em casa, ela reagiu muito bem face aos meus saltos e gritinhos histéricos. Sim, eu sei. Nem parece meu...
E bem, morta a carraça (à 2ª volta, porque não deitei água suficiente no lavatório e a bicha voltou para me atazanar! Thank God for moms!), a modos que fiquei vagamente contente. Isto porque me lembrei, como há muito não recordava, de como é fantástico sentir medo. De como nos faz sentir vivos. É a segunda melhor coisa a seguir à paixão. É claro que há medos que são comuns no dia-a-dia - medo de perder alguém, medo de chumbar a uma cadeira, medo de chegar ao carro e ter uma multa, - mas esses medos traduzem-se mais por uma ansiedade psicológica do que propriamente por medo. Aquela sensação de pavor que nos ofusca a racionalidade e resulta numa qualquer descarga de adrenalina pouco frequente. É óptimo! Mas isto são os medos bons. Não tenho propriamente vontade de experimentar o terror que deve ser estar nas mãos de um serial killer ou algo do género. Não. Medos assim, de coisas sem sentido e que dá luta tentar combater!
Fiquei com vontade de regressar aos meus tempos de desportos radicais. Sabe Deus que rappel me dava um nervosinho tão grande que não via mais nada à frente...
MJNuts
Bem, vai na volta, parece que estou de regresso ao blog...