Tuesday, March 2, 2010

Dia de Cão

É uma manhã em que me sinto com vontade de ir para a faculdade. São poucas as manhãs em que me recordo de ter a energia que me motiva a caminhar para o comboio para o qual não estou atrasado. Vai ser um bom dia.

Não consigo chegar até junto dos meus colegas porque ele me chama e me diz que te encontrou e que lhe dói ver-te. Estás deitado junto à entrada principal do edifício da faculdade. Sou sincero contigo: não te acho o cão mais bonito do mundo, mas, mais tarde, vou perceber que estás mais perto de o ser do que agora o acho. Foste atropelado? Que te aconteceu? Tens a pata de trás toda esventrada em sangue. Consigo ver várias feridas, algumas bem fundas, consigo ver parte do teu osso. Levantas-te porque queres receber uma festinha. Não consegues pousar a pata no chão. Não é um bom começo. Acabo de te conhecer e já me fazes sentir pena de ti. Uma coisa é certa: estás abandonado. Acho que tens a sorte de ter vindo parar ao sítio certo. Há por aqui muito boa gente que não consegue passar por ti e ficar indiferente à beleza triste que existe no teu olhar. Adoro o teu olhar. Tens muita coisa nele. Consigo ficar a olhar para ele durante muito tempo. Que vou fazer contigo? Olha para mim, já estou sentado ao teu lado e já não consigo tirar a mão de cima de ti. És tão bonito. Que vou fazer contigo? Falo com a senhora da recepção do Dept. de Teatro, mas parece que ela já se adiantou. Chamou o Canil para te levarem.

Não quero canil nenhum. Obrigado, minha senhora, por ter tratado do assunto com tanta paixão. Ok, pronto, talvez não saiba que o Canil mata os cães se ninguém os procurar num prazo máximo de 15 dias. Já são quase 10h, mas não posso ir para as aulas e deixar que o Canil te leve. O que me irrita é que eu consigo ver no teu olhar que não precisas de mim. Que consegues continuar o teu caminho e deixar-me para trás. No entanto, vens atrás de mim e conheces duas meninas que, apesar de ainda não o saberes, não vão descansar enquanto não estiveres bem. A carrinha do Canil aparece com uma rapidez surpreendente. É a imagem do terror. Uma bagageira enorme onde se podem ver desenhados um cão e um gato que sorriem traiçoeiramente. Dois homens encorpados, vestidos com a mesma farda azul. Recolha de Animais o tanas! Acho que compreendes o que aquilo significa porque estás a apressar-te para a entrada do edifício, o mais longe possível dali. Eu falo com os senhores e digo-lhes que os seus serviços não são mais necessários, que se encontrou alguém para tomar conta de ti. Quem? Eu. Eu vou ficar contigo, eu tomo conta de ti. Com isto, comprometi-me. És meu para o resto do dia.

Depois dos homens partirem, ligo para a União Zoófila. Eu sei que eles podem ficar contigo até seres adoptado (mesmo que isso signifique ficares naquele lugar a vida inteira). Parece-me uma solução viável. Talvez prefiras continuar a deambular pelas ruas. Será que preferes? Odeio esta parte de mim que nunca percebe se está a fazer o que está certo. Vou ignorá-la, pode ser? Há um pequeno problema: devido aos temporais que têm assombrado Lisboa e não só, o albergue da União Zoófila está virado de pantanas e, neste preciso momento, eles não conseguem receber mais animais. Ela diz-me que fique contigo durantes uns dias até o problema estar mais ou menos resolvido. Acho que é o melhor que consigo arranjar, pode ser? Não te importas com isso. Queres deitar-te ao sol. Adoras que te dê festinhas. Eu dou-te festinhas. Não consigo parar de o fazer, seja como for. Ligo para o consultório da União Zoófila e eles aceitam receber-te hoje a qualquer hora. Vais ao v-e-t-e-r-i-n-á-r-i-o. Alguma vez ouviste esta palavra? Se a tua resposta é essa indiferença adorável, é porque és mesmo um cão abandonado. És novo, apesar de já pareceres muito crescido. A vida está a ser pesada para ti, eu sei que sim. Há uma outra menina que está disposta a abdicar do seu almoço para ir connosco ao veterinário. Só temos que esperar que a aula termine.

Os alunos passam por nós. Eles gostam de ti. Fico feliz por seres um bom promotor de comunicação. Eles falam comigo sobre ti e querem todos saber o que se passa contigo. Tu não queres saber de nenhum. Apenas quando percebes que eles trazem comida. Alguns dos alunos não percebem aquilo que eu estou a fazer. Perguntam-me pelos restantes 400 cães que estão abandonados por Lisboa. Perguntam-me porque é que não pratico estas boas acções com as pessoas que também vivem na rua. Com elas, partilho a tua indiferença. É a primeira vez que estamos os dois de acordo. Sinto-me mais próximo de ti. Sinto-te mais meu. Sei que já não queres ir a lado nenhum. Não porque sou eu que está ali, mas porque, ali, dão-te comida e festinhas. Ah, e porque há um tipo que está sempre sentado ao pé de ti. Também deve saber bem, creio eu.

As três meninas vão connosco ao veterinário. Temos sorte por ela ter uma carrinha. Tens sorte por eu não me importar de ir contigo na bagageira que, apesar de tudo, consegue bem com nós os dois. Não gostas de andar de carro, já percebi. Não gostas de olhar pelas janelas. Preferes esconder a tua cabeça junto das minhas pernas e ficares muito quietinho e ali aninhado até chegarmos. A médica demora a atender-te e, naquele momento, sabemos que estamos já atrasados para a aula da tarde. Portas-te como nunca vi um animal portar-se durante uma consulta. Estás calmo, paciente, cooperas com a médica. Estás triste. Ela fala para mim sobre tudo o que se passa contigo. Como se eu fosse o teu dono. Sinto-me responsável por ti. Quero proteger-te. Levas umas quantas picas e saímos de lá com comprimidos, receitas para levantar e uma amostra de uma ração que eu sei que vais adorar.

Por falar em ração, espero que compreendas que elas precisam de se alimentar. Eu não tenho fome, apesar de ainda não ter comido nada. Elas querem parar no McDonald's para comprar qualquer coisa bem depressa. O teu manifesto quanto a esta decisão é bastante claro quando vomitas a bagageira onde nos encontramos. Quando paramos, elas vão comer. Eu trato de limpar aquilo que sujaste. Não te vou mentir nesta parte, não penses. Foi o vomitado mais nojento que alguma vez limpei. Ela é realmente boa pessoa. Não acho que emprestasse o meu carro sabendo que poderias vomitar nele. O nosso espaço está mais ou menos limpo e estamos prontos para partir. Conseguimos chegar a tempo para a última hora da aula. Mas por muito rápido que vamos não conseguimos escapar ao facto de ainda não termos encontrado um sítio para tu ficares, enquanto esperas para ir para o albergue. Já ligámos para tanta gente... Parece que Lisboa + apartamento + cão não são coisas que se combinem por estes lados. Temos que arranjar uma solução.

Vomitas mais uma vez mesmo antes de chegarmos à faculdade. Desta vez, não tenho tantos jornais nem papéis para limpar a porcaria que sabes que fizeste, mas trato daquilo o melhor que posso. Pobre rapariga. O carro dela está uma autêntica pocilga. Fico surpreendido por saber que esperas por mim, que esperas por nós. No entanto, não me sinto seguro por andar contigo na rua. Tenho medo que me fujas. Não quero que fujas de mim e sei que a razão pela qual não o quero é porque já perdi demasiado tempo contigo para voltares a ser um cão abandonado. Acho que, na verdade, não me importa se queres continuar um cão vadio. A partir deste momento, não tens mais voto nesta matéria. Vou cuidar de ti e vais ser entregue à União Zoófila, que te dará as melhores condições possíveis. Falta apenas uma hora para a aula terminar e eu não quero ir. Não quero correr o risco de deixar-te cá fora e não voltar a ver-te nunca mais. Eu sei que estás bem entregue comigo. Tu também o sabes.Vais sabê-lo. Sabes?

Mais uma vez, fico contigo cá fora à espera delas. Não estou preocupado em ter falta ou não aprender o que quer que seja que esteja a ser ensinado. Sei que aquela aula serve para pensar em sexo. Prefiro passar tempo contigo. Tu preferes dormir. Devoras a ração que a veterinária nos ofereceu. Adormeces novamente. As pessoas continuam a passar. Falam comigo, falam connosco. Partilham as histórias das suas vidas que envolvem animais. Querem dar-te comida, mas a única coisa que permito que te ofereçam são festinhas. Tenho medo que vomites as porcarias que te querem dar. Começo a sentir orgulho em ter-te. Levantas-te do teu lugar e sentas-te ao meu lado, nas escadas. Estás cansado e queres dormir e, apesar de tudo, fazes um esforço para ficar ao pé de mim. Começas a adormecer e deixas a tua cabeça cair para a frente repetitivamente, tal como eu deixo quando adormeço nos transportes. Os medicamentos devem estar a fazer efeito. Coloco a minha mão por baixo do teu queixo e deixo-te adormecer ali. Olho para ti e fico feliz por já termos arranjado um sítio para ficares. Ficas em casa de uma das meninas até a União Zoófila estar pronta para te receber. Sei que vais gostar daquela casa. Eu vou lá visitar-te. Todos os dias.

A aula termina e elas voltam com mais companhia. A menina que conduz não nos pode levar até à casa onde vais ficar, mas vai nos deixar suficientemente perto para podermos ir a pé. Vomitas mais uma vez durante a viagem e eu já não reajo. Não conto a ninguém e mantenho-me calado. Tu olhas para cima, para mim, porque sabes que fizeste porcaria, mas eu sorrio e beijo-te a cabeça. Fico feliz por seres inteligente ao ponto de saberes que não deves deitar-te ou estar perto do teu próprio vomitado. É coisa com que não queres ter mais nada a ver. Consigo olhar para o teu vomitado sem sentir nojo. Deitas a cabeça sobre o meu colo e adormeces o resto da viagem que fazemos, mais uma vez, juntos naquela bagageira. Somos deixados no centro de uma cidade movimentada. Carros, pessoas, muito movimento e eu sei que estás assustado. Não confio em ti para andares ao meu lado. Não tenho trela para te levar. Tenho meu cinto da Pepe Jeans. Coloco-to à volta do pescoço e faço-te uma coleira que te assenta na perfeição. Caminhamos por aquelas ruas movimentadas, junto à estrada onde os carros passam. Sinto-me feliz, sinto-me em paz. Acho que é a primeira vez que, sozinho, passeio um cão que é mais meu do que qualquer outra pessoa. Finjo que estou a passear o meu cão. Finjo que não tenho nenhum sítio para onde ir e que estou apenas a passear-te. Tu estás contente a descobrir o mundo, a cheirar tudo à tua volta. As pessoas olham para ti, olham para nós. Ficamos bem juntos.

Lá mais à frente, encontramo-nos com ele. Tenho amigos que se preocupam contigo, que te querem conhecer, que se preocupam comigo, que me querem ajudar. Eu e tu ficamos felizes por o ver e continuamos a caminhada com mais um ajudante. Vamos para casa da menina que vai ficar contigo e que já lá está à tua espera. Quando lá chegamos, a cara dela não inspira felicidade nem segurança. Tu próprio o percebes porque hesistas entrar no apartamento. Recusas a mexer-te. Tenho que te pegar ao colo para te levar para dentro. Ficas em pé no sítio onde eu te pouso nos minutos seguintes. Estás com medo. Estás cansado. Estás triste. Vais para um canto de uma divisão e deitas-te no escuro sem dizer nada a ninguém. Sem sequer passarem 15 minutos, a campainha toca e sabemos imediatamente que são problemas a bater à porta. O senhorio quer-te dali para fora. Não podes ficar naquele lugar nem uma noite.

Pego em ti para irmos embora, mas tu recusas a mexer-te. Não obedeces quando te chamo. Ignoras-me. Estás a morrer? Como está a tua pata? Pego novamente em ti e levo-te para fora. Fazes uma enorme luta para não sair para a rua. Não te percebo, às vezes. Temos que limar algumas arestas se esta relação continuar. Já é de noite e não sabemos para onde ir. Mais uma menina vem ter connosco para te ajudar, mas também ela não tem a solução para os nossos problemas. Que fazemos, então? Caminhamos pelas ruas os 5, sem destino de paragem. Começamos a ligar para todas as pessoas que conhecemos. Amigos, ex-amigos, colegas, ex-colegas, namorados, ex-namorados, professores, ex-professores. Toda a gente. Toda a gente e ninguém te pode receber, mesmo sabendo que se trata de uma estadia temporária. Por fim, sentamo-nos num passeio. Já é tarde. Ponderamos a hipótese de ficares num hotel para cães. Pondero a hipótese de te deixar a dormir na minha garagem com um pedaço de cartão e um cobertor. Em minha casa não és bem-vindo.

Vamos ter com outra menina que mora ali perto e esperamos à porta do prédio dela. É nesta altura que decido testar a tua fidelidade para comigo. Será que já a tens? Soltamos-te do cinto e tu permaneces sentado. Eu começo a afastar-me sem olhar nunca para trás. No meu décimo passo, sinto-te a correr para junto de mim. Sorrio para ti e abraço-te. Não estou contente com o nome que te foi dado. Não quero que te chames assim. Ainda não encontrei nada que te sirva. Gostei quando ele sugeriu que te chamasses Papuça, mas não me parece que aceitasses o nome de bom grado. Sei como és esquisito. Sentamo-nos nas escadas do prédio da menina que lá mora. Estás tão cansado que rapidamente adormeces. Permanecemos os 5 junto de ti. Não queremos estar lá fora porque está frio. Enquanto dormes, nós pensamos numa solução, mas não sabemos o que fazer. Continuamos a ligar para quem nos vamos lembrando, mas sempre sem sucesso. Permanecemos naquele lugar durante muito tempo. Tenho a estranha sensação de que estamos à espera de alguma coisa. Sinto que estão coisas a decorrer e que estamos à espera delas, pois serão a solução para os nossos problemas. Outra vezes, lembro-me que não passamos de um grupo de amigos e um cão, sentados nas escadas de um prédio velho sem objectivo algum.

Eles têm fome e vão-se embora para comer. Ficamos os dois. Como no princípio, lembras-te? Quando eles partem, tu acordas para me fazer companhia. Desces as escadas para junto de mim e começas a lamber-me a cara. É o meu primeiro instinto afastar-te, mas rapidamente percebo que foi o gesto mais carinhoso que tiveste para comigo. Adormeces ao meu lado. Será que preferes morrer? A vida é uma m*rda, eu sei. A vida é um grande peido azul no meio do Universo (especialmente para ti). Gostava de perceber se o que faço está correcto. Não aos olhos dos outros, mas aos teus olhos. Estás contente por estar a fazer isto por ti? Não consigo percebê-lo. Não faz mal. Encontrámos uma casa para ti. Um menino veio agora ter connosco e, em poucas chamadas, encontrou uns amigos que podem ficar contigo temporariamente. Somos agora 6 pessoas a tomar conta de ti. Fazemo-nos novamente à estrada fria e tardia. Temos que ir a pé para lá, mas eu não me importo. Eles vão mais à frente e eu vou contigo cá atrás e canto para ti e fico feliz por seres o meu cão naquela noite fria.

Estás cansado. Eu paro de vez em quando para te abraçar e dar-te mais festinhas. Andamos, andamos, andamos. Estamos quase a chegar. A noite já vai longa e nós também. Por vezes, deparamo-nos com sinais e com postes no nosso caminho. Quero testar a tua perspicácia e deixo-te tentar passar por um lado, enquanto eu estou a passar pelo outro. Com um cinto a prender-te é difícil que consigamos os dois passar cada um pelo seu lado. Testo-te três vezes, mas tu nunca consegues perceber o problema. Ficas a olhar para mim com aquele teu olhar perdido e eu dou a volta e passo pelo teu lado para continuarmos a viagem. Chegámos.

A casa está cheia de pessoas. É pequena. Estás com pulgas e estás a morder-te. Tenho medo que eles reparem e que te mandem embora. Procuro parar-te, mas tu não consegues controlar. Elas estão a atacar-te com força. Estás tão cansado e deitas-te imediatamente no chão do corredor. Eu e os outros meninos temos que ir embora. Ficas bem? Não sei. Eu vou voltar para te buscar e te levar para o teu albergue. Vamos estar juntos novamente. Temos que partir. Quero-me despedir de ti e quero que seja especial. Também eu estou cansado e tenho já poucas forças para me manter no chão, junto de ti, para me despedir decentemente. Começam a dar-te festinhas e tu ficas derretido. Eles gostam de ti. Acho que não te importas que eu vá. Eu sei que não te importas. Levanto-me e afasto-me para junto da porta. Os meus amigos já estão lá em baixo, à minha espera. Na porta, olho para ti porque quero que repares que me vou embora. Quero que te levantes. Quero que venhas ter comigo. Quero que fiques a arranhar a porta quando eu a fechar. Quero que ladres. Quero que te importes. Mas tu não olhas mais para mim. Fecho a porta e desço as escadas.

Hoje, não sei de ti. Não sei onde estás. Não sei para que casa foste reencaminhado. Não sei como estás. Mas eu vou buscar-te muito em breve. Lembrar-te-ás de mim? Farás uma grande festa quando me vires novamente? Abanarás a cauda quando eu entrar na sala? Eu ainda penso em ti.

Para sempre, o teu André.








13 comments:

Morcegos no Sótão said...

Ai o bicho é lindo de morrer... Claro que ficaria contigo. Guardá-lo-ia no meu telhado até a União Zoófila estar pronta. =)

Não precisas de questionar se o que fazes está correcto... Segue os teus instintos, eles sabem o que importa, são a voz do coração. Aqui não há jogos.

MJNuts

Sophya said...

E é assim que às vezes me identifico com algumas pessoas.. Mas muito poucas.

Não tenho palavras para o texto..Acho que as lágrimas falam por si.

Por vezes é quando mais questionamos se o que fazemos está correcto que mais acertamos.

Sem dúvida que este animal teve muita sorte.. Era bom que todos a tivessem também. **

Anonymous said...

Obrigada.

blablabla said...

Não o deixem na União Zoofila
Todos os cães são bonitos
Desde que aluém goste deles
A união Zoofila não tem condições
Eu sei do que estou a falar

Ana said...

Nem sei o que te diga...eu faria o mesmo que tu e sei que ele nunca mais na vida te vai esquecer...parabéns por seres assim, como és...

Catarina said...

Como te compreendo, André... Obrigada por teres ajudado esse lindão!
Dia 20 de Fevereiro passei pelo mesmo filme... Depois de uma tarde e noite esgotantes, a UZ aceitou os 2 canitos que ME encontraram! Estão agora no albergue, e para meu consolo posso visitá-los, e tentar convencer-me todas as vezes que fiz o que é melhor para eles... Sem dúvida tudo é melhor do que estar na rua, com fome, ao frio, mas é tão ingrata a sensação de que eles são nossos e nós somos deles, e depois não poder fazer mais...
Mas ainda bem que existem mais pessoas capazes de se envolver, pois infelizmente eles também existirão sempre.

O Mundo de Farnia said...

Olá André.

Encontrei a tua história por acaso e coloquei-a aqui:

http://www.facebook.com/pages/Uniao-Zoofila/157983395310

Temos muitas pessoas com curiosidade em saber mais qualquer coisa pelo que te convido a comentar.

A Lisboeta said...

Nem sei que dizer, haja alguém que tenha bom coração e passe sem indiferença por estas situações...

O que fizeste foi certo, acredita que um animal nunca esquece quem lhe fez bem ou o ajudou, tenho a certeza que ele te vai reconhecer...

E obrigada, por esta lagrimazinha com que me deixaste! :)

andreia said...

Estou sem palavras...apenas lágrimas nos olhos!!! Obrigada...espero k ele esteja feliz;)

Giovanna said...

Não posso dizer que faria o mesmo que tu, passar o dia com o cão e só o largar quando o deixasse com alguém. Também não sei se virava costas. Já falei e segui durante alguns dias pessoas que, como tu, não viram costas a nenhum bicho que precise de ajuda, e se há gesto verdadeiramente humano é este; não te censuro nas tuas escolhas. Até mesmo uma racionalista empedernida como eu sente todo o afecto e necessidade nos olhos de um cão - os cães, particularmente, conseguem ser muito expressivos com o olhar.

Mas não deixo de ficar a pensar noutras coisas - que davam um post inteiro, vou tentar resumir. Só nas últimas décadas é que surgiu esta sensação de dívida aos animais. Temos de ter tudo controlado, em especial nas cidades: semáforos, passadeiras, radares, passeios e cães com açaime. Pombos esterilizados. Gatos vacinados. Animais exóticos registados. Etc.
E não concebemos com facilidade a ideia de que os animais sobrevivem sem o nosso apoio e amor incondicional.
Quando fechámos os limites das nossas casas e as construímos em altura, fechámos a nossa percepção do que é a ordem natural das coisas. Os gatos e cães não são animais de casa . São animais domesticados, habituaram-se a que cuidem deles. São cada vez mais humanizados, mas não são pessoas. Os gatos sobrevivem bem sem donos. Os cães sobrevivem bem sem uma casa e trancas na porta.
Porque será que a atitude num meio-termo, tanto humana como racional, de cuidar do animal e deixá-lo ir outra vez não é bem aceite? Sinceramente, os cães ficam melhor em «gaiolas» com 5 cães por metro quadrado e 2 refeições de ração por dia, do que livres o dia inteiro e comendo o que lhes surge pelo caminho (que tanto é comida humana como animais pequenos)?
Pensar assim torna-me menos humana?

TT said...

É tão boa a sensação de esperança e alento que se tem depois de se ler um texto destes. Obrigada.

Eu said...

Obrigado por simplesmente...Seres!

Anonymous said...

Eu tenho 3 caes. 1 deles e uma menina que adptei do RSPCA (equivalente a UZ). Ha 3 anos morreu o meu Che Guevara (rafeirito c/ q fiquei qd tinha 2 semanas pq o iam afogar!!!)
Qd os meus pais me ligaram a dizer q o corcaozito tinha parado (c/ 9 anos)senti a mesma trizteza e sentimento e impotencia como qd me ligaram a contar da morte da minha avo e do meu avo.
Os animai sao a melhor coisa do Mundo, ninguem e tao leal, tao amigo, tao fiel ama tao incondicionalmente como os animais sao c/ os seus donos. Muito poucas pessoas dao a propria vida p/ outrem mas os animais nao hesitam em dar a vida pelos seus donos!
Infelizmente, ainda ha muita gente q pena q os animai ao brinquedos, "coisas" das quais no podemos descartar qd falta paciencia, dinheiro ou ja nao sao tao engracado como qd eram pequeninos...
E bom saber q ha pessoas como tu, q daos aos animais o merecido (e tantas vezes esquecido) valor e q fazem o q podem para o ajudar.
O meu MUITO OBRIGADA e um grande BEM HAJA!

Alexandra