Wednesday, December 17, 2008

É Natal, é Natal, Já Não Há...

Olá, caros leitores do Tretas. Como sabem, o Natal vai perto. Estamos já no dia 17! Quem diria que faltam pouco mais de 7 dias para aquele dia do ano que parece ser sempre tão aguardado? Por mim, podíamos estar no dia 12 de Março ou 8 de Agosto. Seria a mesma coisa.

É com tristes palavras que vos declaro que este é o 2º ano em que não sinto o Espírito Natalício. Não sei sequer como se descreve o Espírito Natalício - como se põe por palavras aquilo que se sente? Não importa, porque eu sei quando o sinto. Conheço aquela sensação quentinha que sempre me abraçou em todos os Natais e que, agora, já não abraça. Onde está ela? Coloquei uma série de hipóteses que podem estar na causa deste roubo.

Talvez a pressão e o trabalho que advêm daqueles confins odiosos que são a minha Escola de Cinema possam fazer voar a minha atenção para tudo menos para o Natal. Não há já brinquedos para eu descobrir no roupeiro dos pais ou uma espera ansiosa pela meia-noite para saber o que é que se esconde no interior daquelas caixas que eram sempre tão coloridas. O meu avô não está já cá para dar corda ao velho relógio da sala de jantar lá da Terra e, por isso, há um vazio enorme naquele lugar frio, que não é mais embalado pelo tic-tac ou pela pressa que ele tinha sempre em ir para a cama. Não sei.

A verdade é que parece que a cidade está a rebentar de enfeites em que eu ainda não reparei. O Vasco da Gama é capaz de ter à vontade mais de 100 Árvores de Natal. Não sei que hei-de fazer para poder sentir outra vez aquilo que sempre adorei sentir! Talvez precise de ir à Baixa-Natalícia. Gostava de, a este respeito, agradecer à MJNuts, que está a tentar fazer-me sentir aquilo que já chegou ao coração dela este ano. Sim, ela tem tentado. Tem tentado de tal maneira que consegui sentir um pouco da magia quando estive em sua casa com ela e com outra vivalma caridosa e alegremente cantámos músicas de Natal, enquanto estávamos deitados, aconchegados no sofá, apenas sob a iluminação da Árvore de Natal. Foi bonito. But, then, it went away.

Num desses jantares de família que, por vezes, temos, disse a um relativamente novo membro daquela união que tratava das renas do Pai Natal. Com uma alegria brilhante nos olhos, ele ficou fascinado e entusiasmado com a ideia. Já que não a posso ter, posso empurrar um pouco mais desta magia natalícia, tão estragada pelo comércio, para quem precisa mais dela que eu. Acho que a felicidade dele me ajudou um pouco. Mas não o suficiente.

Se calhar, o que eu preciso é de ver os episódios de Natal do Will & Grace. Aí está uma excelente ideia que talvez sortisse algum efeito. Vou já a meio da 3ª temporada de QAF e não me lembro de ver nenhum episódio de Natal, mas, também, aquilo não é uma sitcom, que essas é que costumam estar recheados deles.

Pois é, meus amigos. Ainda ando à procura por estas ruas daquela coisa maravilhosa sempre tão elogiada, que é o espírito natalício. Se alguém souber onde o puder encontrar, não hesite em ajudar-me!

Gostava apenas de partilhar uma pequena história com vocês. Hoje no Vasco da Gama, estava a descer as escadas rolantes e, à minha frente, descia também um grupo enorme de rapazes ao qual o comum português muito gosta de chamar mitras ou chungas. Na mão, eu segurava a Zebra do Madagáscar, que tinha vindo com o Happy-Meal que a minha amiga tinha lanchado. Pu-lo no corrimão de borracha das escadas e partilhei com o mundo em voz alta a minha curiosidade em saber se o boneco aguentaria até ao fim da caminhada. O rapaz que estava no degrau imediatamente abaixo do meu ouviu-me e quis participar no desafio. Não me lembro já do que disse, mas sei que fiquei desconfiado. Deus sabe as experiências que eu já tive com gente que se veste ou age daquela maneira. Mas não importa. Não mostrei qualquer tipo de receio, apesar de tudo. A Zebra acabou por cair para o outro lado das escadas com o perigo de ter caído sobre a cabeça de alguém. Ele riu-se comigo. Depois falou qualquer coisa sobre deixar cair a minha mala, enquanto a mim me preocupava as segundas intenções que ele poderia ter. Decidiu dar-me um aperto de mão e eu avisei-o para ele ter cuidado, que eu tinha a mão magoada. E eu tenho o braço, respondeu ele, mostrando-me o seu braço engessado. Rimo-nos. Ele desejou-me um feliz Natal e, no fim das escadas, prosseguiu com o seu grupo. Apesar de ter sido um momento propício a sentir mais do que a felicidade peculiar que senti, nada vindo do Pólo Norte apareceu. Se isto não chega, que mais pode ajudar-me?

Será que estou condenado a sentir apenas o Espírito Martinense?


E agora, vou ver o episódio de Natal dos Simpsons, que está agora a começar. Pode ser que resulte!

Guess

P.S.: no outro dia, na rua, uma rapariga muda pediu-me para assinar um papel qualquer. Estava a recolher assinaturas, muito provavelmente, para ajudar aqueles mais incapacitados. Eu, na minha idiotice, prossegui a minha marcha e ignorei-a numa atitude snob e estúpida. Desculpa.

4 comments:

Morcegos no Sótão said...

Ah! Nada me dá mais "natalidade" do que desejar Feliz Natal! a um estranho ou ele a mim! Fico logo com um sorriso e quentinha por dentro!

Bem, este ano o que me fez sentir espírito natalício foi saber que, uns quantos anos depois, vou voltar a passar o Natal na terrinha, com a minha família toda! :D Natal sem lareira é amostra de Natal!

Quanto a ti, caro Guess... Olha nah sei. Mas sei que a muda provavelmente era do gang das que fingem que são mudas para pedir ajuda para uma falsa "associação de mudos". Don't be sorry.

MJNuts

Duriel said...

É o segundo ano seguido? Bem, basicamente desde que tens mais de 18 anos... Tens aí a explicação!

Acredito que há sensações, que por muito boas que sejam, se perdem com o tempo! essa é uma delas! Hoje em dia só sinto o espírio natalício quando chego à terrinha... Na cidade já só em pequenos momentos, como mencionaste!

E quando somos crianças é uma coisa muito mais passiva, porque o nosso mundo, o dos brinquedos, ganha todo uma outra vida nessa altura!!

Rita said...

Ai eu és tão bronco... não elas não são mudas! alias repara k tem tds um ar pseudo idiano/cigano... nope... é treta!

Pijaminha said...

vim ao vosso blog e deparei me c uma data de postos a falar do natal...li-os todos mas depois lembrei me que não desejei feliz natal a ninguem, nem sequer postei nada sobre o natal...o que me fez aperceber que se calhar tambem já perdi esse espirito natalicio. e pior...nem reparei nisso. sempre gostei tanto do natal...e este ano chegamos ao dia 24 de dezembro e de facto é igual a outro dia qualquer mas c a excepçao que na minha cozinha so se fazem coisas doces e o bacalhauzinho para logo a noite...
é mesmo triste...somos tao novos e ja perdemos isso...

***beijinhos martinhenses ent amor.