Queria partilhar uma coisa convosco. Não sou uma pessoa medrosa ou mariquinhas por natureza. Verdade, sou ligeiramente hipocondríaca, mas fora isso, não tenho medo de aranhas nem de abelhas nem de cobras, não sofro de vertigens, não mudo de passeio ou de carruagem quando vejo um bando de mitras... Enfim, sou despreocupada com assuntos medrosos em geral. Mas há uma coisa que me assusta terrivelmente e que é o que eu tenho de mais próximo de uma fobia: carraças. Será que existe um nome estilo carraçofobia?
É verdade. Eu, que trabalho no Zoo. Eu, que lido com animais diariamente e tenho uma bicha em casa. Eu, que passo imenso tempo no campo. Parece que o mundo inteiro se uniu para me tramar.
Ora pois como o Universo é lixado e gosta de nos pôr a enfrentar medos, há que dizer que já tive vários encontros de primeiríssimo grau com este... erm... parasita. Obviamente que já vi muitas carraças em cães, mas isso é normal. Também já fui pior do que sou agora. Antes de trabalhar numa clínica veterinária (que me ajudou e bem a enfrentar este receio sem sentido), se via que um cão tinha uma carraça ou uma pulga, saltava três metros para trás com ar de pânico, como a Kawaii certamente poderá testemeunhar. Agora já sou mais controlada.
E ainda bem. Porque depois de sentir uma carraça a subir-me pela cara até ao cabelo e alguém ma apanhar e atirá-la para a lareira, depois de sentir uma carraça no joelho e tirar as calças no meio da casa de estranhos e sacudi-las que nem uma louca na varanda... Eu esperava que não tivesse mais histórias de carraças para contar. Parece que estava enganada. Bem dizia o meu pai que o meu sangue deve ser doce!
Na péssima e ranhosa noite que hoje passou, em que pouco ou nada dormi (mas em que apaguei luzes e desliguei PC histérica de alegria porque D.E.B.S. é um fartote de rir que só visto!), de manhã fui forçada a sair da cama quando sinto uma comichão na parte interna da coxa e, ao levar lá a mão, apercebo-me logo que ali há bicho!
Há anos que não sentia tanto medo! Foi lançar a carraça pela pia abaixo e enfiar-me na banheira durante uma eternidade, a esfregar-me violentamente e a pôr a depilação em dia! Ainda bem que a minha mãe estava em casa, ela reagiu muito bem face aos meus saltos e gritinhos histéricos. Sim, eu sei. Nem parece meu...
E bem, morta a carraça (à 2ª volta, porque não deitei água suficiente no lavatório e a bicha voltou para me atazanar! Thank God for moms!), a modos que fiquei vagamente contente. Isto porque me lembrei, como há muito não recordava, de como é fantástico sentir medo. De como nos faz sentir vivos. É a segunda melhor coisa a seguir à paixão. É claro que há medos que são comuns no dia-a-dia - medo de perder alguém, medo de chumbar a uma cadeira, medo de chegar ao carro e ter uma multa, - mas esses medos traduzem-se mais por uma ansiedade psicológica do que propriamente por medo. Aquela sensação de pavor que nos ofusca a racionalidade e resulta numa qualquer descarga de adrenalina pouco frequente. É óptimo! Mas isto são os medos bons. Não tenho propriamente vontade de experimentar o terror que deve ser estar nas mãos de um serial killer ou algo do género. Não. Medos assim, de coisas sem sentido e que dá luta tentar combater!
Fiquei com vontade de regressar aos meus tempos de desportos radicais. Sabe Deus que rappel me dava um nervosinho tão grande que não via mais nada à frente...
MJNuts
Bem, vai na volta, parece que estou de regresso ao blog...
Bullying
1 month ago





