Saturday, August 11, 2007

Testamento

Ora bem... Não pretendo com este post passar por suicida! Não, não, nada disso. Descansem as mentes preocupadas que eu sou um ser humano que provavelmente não passará dos 60, mas fará tudo para aproveitar ao máximo os 39 anos que lhe restam!

Seja como for, a morte é daquelas coisas que, irremediavelmente, fazem parte da vida. E os lamechas hão-de perguntar "Então e o amor?". E eu digo "O amor é sobrevalorizado, pah!". O amor pode ou não fazer parte da vida. Os putos deixados ao Deus-dará não conhecem o amor de mãe. Muito boa gente atravessa a sua vidinha sem nunca se ter apaixonado verdadeiramente. E etc e tal.

O que nos leva à verdade evidente de que a morte é, sem qualquer sombra de dúvida, das poucas certezas que há na vida. E, para mostrar que sou cool e que isto é um blog de gente séria, vou passar a tratar a vida e a morte como entidades e indicá-las com letra maiúscula neste post. Bem, se a Vida e Morte voltarem a aparecer, claro.

Já pensaram como seria se, sei lá, morressem hoje, amanhã? Já pensaram na infinidade de coisas que deixariam por ver, fazer, sentir, viver se morressem agora? A malta é jovem e tenta não pensar nessas coisas, mas a verdade é que azares acontecem. Acidentes de carro, estar no sítio errado à hora errada, assaltos violentos, doenças fulminantes... A nossa vidinha é muito frágil e está sempre por um fio! Assustador, não é?

Volta e meia, estes pensamentos ocorrem-me. Sempre numa onda de boa disposição e leveza, obviamente. Mas às vezes interrogo-me de como reagiriam os meus pais, os meus amigos, quem iria ao funeral... E será que já disse a alguma entidade importante que gostava de ser cremada e não enterrada? Com as cinzas largadas sobre a terra do meu pai? Estas pequenas parvoíces que são ditas da boca para fora e não estão escritas em lado nenhum. Pelo menos em lado nenhum oficial.

E se morresse, como é que as pessoas que gosto eram avisadas? Como é que os meus pais sabiam qual dos Joões (Joãos?) do meu telemóvel é um dos meus melhores amigos? Como é que iam adivinhar que a Giovanna está em Bilu Bilu e a Filipa em Usagi? E a malta da Internet, que após anos de MSN e sms e poucos ou muitos encontros por aí até já se tornou amiga e parte da nossa vida? Como é que as pessoas ficam a saber para poderem aparecer?

E as minhas coisas? Quer dizer, eu, que até sou vagamente desprendida das pessoas e dos acontecimentos (guardar rancores? o que é isso?), sou muito agarrada às minhas coisinhas! Gosto muito dos meus livrinhos e prezo muito a minha colecção de DVD's, que é uma montra de qualidade e bom gosto, evidentemente. E ainda tenho cerca de 70 CD's originais, não é brincadeira! Quem é que fica com eles, hum? Bem, os livros podem ir para a Giovanna, minha parceira de leituras (ai que eu já nem leio 1/4 do que costumava...). Se bem que os livros infantis e juvenis deveriam ir para a catrefada de putos que a minha família tem parido nos últimos anos... E o Guess e a Filipa podem dividir os DVD's (não andem à batatada pelo Lost, sff - ah, e Futurama deve ir para o Dae!). O Hugo pode ficar com os CD's, que ele é a personificação musical da minha vida. Alguém faz leilão pelo portátil e material tecnológico? É um bicho de boa qualidade, quase 3 anos e nunca me deu problemas.

É que, sei lá, isto deve parecer algo mórbido, mas não se devia deixar estas coisas escritas para os nossos desejos serem realizados? Não vos faz um certo sentido? Ou eu sou anormal de todo?

E o meu amado Zoo? Não teria que ser avisado? É que se não apareço lá para trabalhar, ficam com má impressão minha e se estiver morta não tenho culpa!XD

Enfim, é daqueles assuntos meio tabu e que a malta prefere não pensar porque é perturbador ou porque teoricamente somos tão novos que o assunto é menosprezado. Mas lá que elas acontecem...

Para efeitos kármicos, que se calhar o Sr. Karma (bem, segundo o Earl, é a Sra. Karma e ele parece dar-se bem com estas questões) está a ler isto e decidiu que a missão da minha vida era escrever este post e por isso vai matar-me num futuro próximo com uma crise de asfixia porque uma mosca me entrou na boca (oh, the irony!), considerem esta parafernália de disparates existenciais como uma espécie de meu Testamento. Deixo aqui as minhas declarações de amor às pessoas não presenteadas com os meus artigos de cultura coleccionáveis, isto porque um Testamento bem feito, na minha cabecinha, tem os artigos diferenciados quase um a um e respectivas explicações. O que é particular e mais pessoal, fica para quando eu tiver 50 anos e um advogado.

MJNuts

P.S.- E nem sequer cheguei a falar do que haverá para lá da Morte! Ah, a sorte que vocês têm!

4 comments:

Guess said...

Podias ter tocado também no assunto da felicidade (se bém que seria mais vago que o amor). Creio que as pessoas preocupam-se mais em ser felizes do que ser amadas (mas as 2 estão condicionadas, não estão?). Seja como for, o que quero dizer é que as pessoas passam a vida em busca da felicidade e nunca a vão encontrar porque, na verdade, a busca é a felicidade (mas estamos tão desesperados à procura que nem nos apercebemos que ela pode estar ali ao lado a dizer adeus e a querer ser "usada").

O teu 7º parágrafo é de facto bastante macabro! Percebo a tua aflição, mas será que importa? Tu estarás (perdoem-me a agressvidade(?) morta e não te fará a mínima diferença quem fica com o quê ou quem será avisado. Porque, na verdade, não poderás ver como serán a vida no lugar onde viveste (ou poderás?).

É um grande dilema, realmente. Eu também penso imensas vezes em quem iria ao funeral e quem seria avisado, mas sobretudo, gostaria de saber e ver as reações das pessoas (principalmente daquelas que diziam odiar-me).

Não me interessa quem fica com o quê. Não me interessa mesmo. E, sinceramente, esses pensamentos, embora inevitáveis, deviam ser evitados (não deviam?). Por exemplo, porque raio é que não foste ver LOST, ao cinema ou ter com amigos em vez de escreveres este testamento?

Relativamente ao teu (e meu) adorado Zoo, não haveria grande problema. Não achas que eu avisaria? --;

"Life's too short to be afraid"
Start living it - it's what you can do best. I can tell =D

ps - não haveria discussão possível. Se tu morresses, eu ficaria com os dvd's de LOST :P

Morcegos no Sótão said...

Ora... As pessoas pensam, faz parte do ser humano. =P Não é isso que nos distingue dos outros animais?^^

Quanto ao amor e felicidade, quer dizer... Acho que nem todas as pessoas têm a capacidade de ser felizes. Há pessoas que estão sempre insatisfeitas e a queixarem-se e não tiram partido nenhum de coisas boas e simples que poderiam dar-lhes uns momentos de felicidade, se elas a isso se permitissem. Por isso nem me ocorreu. Além de que a felicidade não é, nem de perto nem de longe, um artigo de marketing tão publicitado como o amor. =P

E eu vivo muito bem a minha vida, o que não implica que não pense morbidamente! Não gostei desse "start living it"! -.-

Quanto a Lost... Tu já tens o pack da season1! Gostava era de ver a batalha pela season2!muahahah

Ah, e acho que não se percebe isso pelo post, mas eu não tenho medo de morrer. Nunca tive, vá-se lá saber porquê. Mas sempre me preocupei com os vestígios que deixaria. Sou extremamente desorganizada, mas gostava que, quando morresse, tudo ficasse em ordem para não ficar aquela sensação de que a pessoa partiu e deixou algo incompleto, deixou uma indefinição no seu lugar. Isso é que me faz confusão na Morte. As coisas que não foram ditas ou feitas, o que fica por explicar, o sentimento de vazio nas pessoas que ficam porque falta qualquer coisa associada à memória d@ falecid@. Daí a minha preocupação com os avisos e os pertences. :)

MJNuts

Catarina said...

Tambem sou como o guess (posso tratar t assim?:P), nao me preocupo mesmo com o que vou deixar em termos materiais.. mas sim o que vou deixar espiritualmente. Nao sei se me estou a fazer entender... preocupo-me em deixar a minha marca neste mundo. Agora como é que ja é outra questao :P
Adorava ver a reacção das pessoas... nao sei se para confirmar o que realmente os outros dizem sentir por nós (ou os seus actos é que o dizem),(é bom que chorem muito!) ou se para sentir-me (será que vou sentir, pensar, mexer alguma coisa?:P) completamente arruinada (então mas ninguém gostava de mim?)
Mas o mais engraçado é ver o depois.. passados x meses/anos quem é que se lembra de nós? Quem é que vê as nossas fotos e emociona-se ao recordar certos momentos? Enfim... Quem é que márcamos mesmo? Tudo gira à volta das pessoas que nos rodeiam ... é freak mas é isto mesmo LOL Sim são pensamentos bastante estúpidos, mas que infelizmente toda a gente tem!
Como dizes, afinal a morte é das poucas certezas que temos na vida e por onde todos passamos... quer queiramos quer não!
Bjinhu
p.s. Eu posso ficar com alguma coisa Maryland?:P

Morcegos no Sótão said...

LOL Sim, podes ficar com o que quiseres. =P Eu quando morrer faço estilo quermesse, mas de borla. O 1º a chegar é quem fica!xD

E é claro que também me preocupo com a marca espiritual que é deixada, mas já agora, porque não dar utilidade aos objectos que fomos coleccionando na nossa vida? Não vão connosco para o caixão com certeza!lol

MJNuts