Thursday, June 5, 2008

Lost - There's No Place Like Home, part 1

Suponho que seja sabido ou notado ciberneticamente que eu sou grande fã de Lost. Se não deram por isso, não andam atentos. Às tantas devia criar uma prateleira nova só dedicada à série, em vez de arrumar os posts na prateleira televisiva.

Detalhes à parte, estou aqui para vos falar da primeira parte do último episódio da 4ª temporada, dividido em 3 partes (4x12, aqui em análise, e 4x13, 4x14). É claro que não virá um review com o brilhantismo que se encontra aqui ou com a pertinência e inteligência da voz de todos os skaters, a Fish (desenganem-se os desdenhosos, a moça faz reviews excelentes e não se concentra só nas questões românticas, pelo contrário). Mas pronto, queria deixar a minha opinião, soltar o meu desespero lostiano de 9 meses de espera.

Os de vós que acompanham Lost pela nossa TVzinha tuga (não sei como aguentam, bolas!), mantenham-se longe, vai haver SPOILERS às carradas!

Avisados? Então segue conversa da longa.

O episódio começa com o algo inesperado momento exacto em que os Oceanic 6 estão finalmente a regressar à civilização, para junto dos seus. O ambiente parece de grande tensão. Na verdade, havia uma certa ambiguidade, imperceptível ao primeiro visionamento, nos rostos da Sun e da Kate.

Algures entre a incredulidade e um certo desdém, talvez. Esperando ordens ou reacções do líder do costume, geralmente auto-proclamado (embora nem sempre).
Que dormia. Descansadamente, como se tudo estivesse normal. E bem, por esta altura do nosso season finale, creio que a audiência pendia mais para o descanso do Jack do que para reparar nas caras esgotadas dos restantes. Essas causaram uma certa estranheza, é certo, mas passaram um pouco ao lado.

Quando estão prestes a aterrar, a encarregada da Oceanic Airlines vem dar as informações ao grupo e refere até que não precisam de falar à imprensa, mas Jack insiste que o devem fazer. Estranho, não? Quando a senhora volta ao cockpit, o amigo Jacksus dá as instruções aos companheiros, diz que não têm de responder ao que não souberem, que a ausência de resposta passa por um possível estado de choque. E é a Sun que tem de o lembrar...
"But, Jack... We are in shock."

E nós perguntamo-nos o que terá acontecido para a pacata coreana estar em choque... O avião aterra então. Hurley tem os seus pais à espera, Jack a sua mãe, Sun também os seus pais... Sayid e Kate não têm ninguém. Kate não larga Aaron e por esta hora já nos sabemos que é ela que cuida dele nos 3 anos que se seguiram.
E como nada é por acaso em Lost, não pude deixar de reparar que a Sun abraçou e voltou a abraçar a mãe... E nem um olhar trocou com o pai. O que faz sentido, dados os eventos que agora sabemos que se seguiram.

Entretanto, na praia, prossegue-se a acção dos episódios anteriores. O helicóptero está a chegar à Ilha. Nós sabemos que nele vem Keamy com os seus homens, prontos para arrancar com o protocolo secundário ("Torch the Island"), mas mais uma vez Jack, do alto do seu pedestal, acha que deve ir atrás do helicóptero, pois é a partir dele que podem zarpar dali. E lá parte ele à aventura, arrastando a Kate consigo.

Se estão recordados, Jack foi operado a uma apendicite no episódio em si centrado. Ignorando esse detalhe, o homem estoicamente vai largando sangue selva fora. E mente sobre isso.
Como a Kate, num raro exemplo de perspicácia concedido a esta personagem, muito bem reparou. O que, mais uma vez, não é por acaso e vem a assumir importância.

A Ilha de deserta tem pouco e, no caminho para o helicóptero, os nossos 2 Jate blessin' cruzam-se com Sawyer e Miles, ainda no rescaldo do baby-sitting à força causado por aquele sempre adorado cliché em Lost: OMG, Claire is missing!
Christian Shephard afirmou algures uma coisa do género "Aaron is exactly where he is supposed to be.", o que me faz ponderar se esta "passagem de testemunho", em que o bebé passa dos braços do Sawyer, onde devia estar, para os da Kate, onde sabemos que fica pelo menos durante 3 anos, não tem uma qualquer simbologia que por enquanto nos escapa. Sempre tive esperanças que fosse o cão, Vincent, o centro disto tudo, mas parece que vou ter de ceder às evidências do bebé Escolhido.

Sawyer, provando o crescimento interior que tem vindo a ser particularmente notório nesta temporada, não deixa o Doc ir morrer sozinho e segue com ele em busca do helicóptero. A Kate fica já em antevisão do seu destino preso a um só sítio e tem de levar Aaron de volta à praia.

E é naqueles momentos tão tipicamente Lostianos que passamos de um close-up da cara de um personagem na Ilha para a sua expressão num qualquer flash, agora promovidos à possibilidade de back ou forward.

Eis que vemos os aclamados Oceanic 6 na conferência de imprensa. Isto não teria nada de mal. Não fossem as mentiras consecutivas, uma atrás da outra. A saírem das bocas de cada um deles como se fossem verdades universais. Jack assume sem grande nervosismo a sua posição de maioritariamente porta-voz do grupo e é a ele que são dirigidas quase todas as perguntas.
Os outros assistem com expressões... vazias, diria que perdidas. Até que ponto faz sentido? Eles não deviam estar felizes, já que andaram que nem loucos a tentar sair daquele pedaço de terra? E porquê mentir, afinal? Até que ponto é benéfico? Já que se mente, porque é que a Kate não tentou fugir, fingir que tinha morrido no acidente de avião?

Sem surpresa, Hurley recusa ficar com o dinheiro que tinha ganho na lotaria antes de ter ido dar à Ilha. Com alguma... vá, consternação, vemos a Sun dar, com uma frieza arrepiante, uma morte falsa ao Jin (que supomos morto devido ao episódio 4x07, Ji Yeon). E, pelo menos do meu ponto de vista, é algo intrigante ver que de facto a Kate se assumiu mãe biológica do Aaron. Os anteriores flashforwards não eram claros quanto a isso. Ah, e é sempre, bem, surpreendente, ver o Sayid frisar sem hesitação que não há qualquer possibilidade de haver outros sobreviventes do voo 815, supondo nós à partida que pelo menos o Locke, a Claire e o Sawyer lá ficaram de saúde. E uns quantos redshirts. Ah, e a Rose e o Bernard, claro.

Nem tudo são desgraças... Temos um reencontro feliz.
Não fosse a gente saber que, cerca de um ano depois, a morte algo controversa de Nadia (ainda estou para confirmar se foi ou não o Ben a causar-lhe esse fim) foi dar origem à versão hitman do Bom Iraquiano.

Na Presente (ou será Passado?), Sayid chega à Ilha vindo do cargueiro e confirma que Jack e Kate foram atrás de sarilhos ao seguirem o helicóptero. Mas Kate aparece com Aaron, larga-o nas mãos de Sun e segue para a selva com Sayid. O bote em que Sayid voltou, fica ao dispôr para carregar os sobreviventes até ao cargueiro salvador. Em teoria, pelo menos.

A party de Ben, Locke e Hurley, os moços que viram a creepy! Claire e seu papá na cabana de Jacob e estão lançados na demanda de mover a Ilha, também está lá para o meio da selva. E Ben, o Misterioso, saca uma caixa de um esconderijo algures, dá um pacote de bolachas de 15 anos (os números, os números!) ao Hurley e lança umas sinaléticas luminosas com um espelho para uma zona longínqua da Ilha. O senhor tem sempre um plano, resta saber qual.

Jin, graças às boas capacidades de organização e liderança de Juliet (muito apagada esta season), começa finalmente a cumprir a sua promessa de tirar Sun da Ilha. E enquanto estão nas suas trocas de olhares carinhosos...

Zoom! Flashforward!
Welcome to badass Sun!

A coreana do meu coração, que eu sempre adorei, apesar de toda aquela sacanagem e dissimulação disfarçadas, está a mostrar a fibra de que é feita! E ela é feita da fibra que usa o dinheiro de indemnizações para lixar a vida ao papá malvado. Motivo? É uma das 2 pessoas que ela considera culpadas da morte de Jin. Hum...

Hurley, noutro ponto do mundo fora da Ilha, tem direito a uma festa de aniversário temática, em que os adereços são... Tropicais e a fazer lembrar ilhas. Algo irónico.
Alguém me pode explicar porque a Kate tem de andar sempre com a criatura ao colo? Não há carrinhos na América?

Mas voltemos ao que interessa. O Hurley faz anos, como tal, tem direito a prendinha.
Lembram-se deste menino? É o carro que o Hurley e o pai estavam a arranjar no primeiro flashback do 3x10, Tricia Tanaka is Dead (sim, eu sei mesmo estas parvíces de cór). É uma prenda especial, pois era uma construção conjunta entre pai e filho.
Mas a prenda veio enguiçada... Nunca me hei-de esquecer do desespero do Hurley antes de abrirem a escotilha, "The numbers are bad! The numbers are bad!". Parece que os números o perseguem. Faz sentido que o homem fuja em agonia a uma velocidade que nunca pensei ver num ser daquela gordura. Medo? Culpa? Cobardia?

Os diferentes propósitos do episódio começam a convergir. Ben, Locke e Hurley chegam finalmente à estação The Orchid, que suponho vá ser, ou esteja a ser, traduzida como Orquídea para português. A estação está já cercada pelos homens de Keamy, pois é ali a base de operações do protocolo secundário (aparentemente, é a partir desta estação que se pode "Torch the Island").

O bote com Jin e Sun chega ao cargueiro e aqui temos então mais um reencontro agridoce.
Os coreanos ficam espantados com a presença de Michael no barco. Se estão recordados, Sun e Michael partilharam uma tímida amizade na 1ª temporada, amizade essa que se alargou também a Jin, com as aventuras na jangada e não só. Todos sabemos o que Michael acabou a fazer...

Nos entretantos, Jack e Sawyer chegam ao helicóptero, onde o bom amigo Frank está algemado e sem a companhia dos militares.
Ah, há que adorar os 2 homens das pontas! Os dois candidatos a líderes Losties tentam libertar Frank e aproveitarem a ausência dos militares para se porem a milhas dali. Mas quando o piloto os informa que Keamy foi atrás de Ben... Bem, o Sawyer é o altruísta daquela Ilha e simplesmente não é capaz de se ir embora e deixar o seu antigo companheiro de quarto em apuros... O Jack fica um pouco com uma cara de "Raios! Atrapalharam-me os planos!", mas é compreensível e há que aproveitar o momento close-up para novo flash.

Vemo-nos então como voyeurs do serviço fúnebre de Christian Shephard, o pai de Jack (e da Claire, só para manter as memórias frescas). Isto não me faz muito sentido. Viu-se num flashback do Jack, na 1ª temporada, que o Doc foi à morgue, algures na Austrália, e declarou que era o corpo do pai, sim senhora, morto e morrido. Depois de muito caos, lá aceitaram o peso extra do caixão no voo para Los Angeles. Logo, a senhora dona mãe do Jack sabia que o marido estava morto. Porquê um funeral uns 5 meses depois da morte do homem? É meio esquisito.

E porque raio está tudo no funeral como se fosse encontro feliz de amigos? E porque não homenagem às "vítimas" do voo 815?
Talvez para esta senhora estar presente? Acordada de um coma que deve ser de 4 ou 8 anos (os números, os números!), a mãe da Claire achou por bem ir dizer adeus ao pai da filha... Mas não parece mais lógico uma homenagem às vítimas do voo, que incluiria a Claire? A mãe dela não quereria ir também, despedir-se da filha que até com certeza lhe era muito mais próxima e querida?
Ou será que é giro ver uma avó chorando a filha e dizendo, sem o saber, que o neto é muito bonito? Porque ficou a Kate com o Aaron, como sua mãe, e o bebé não foi entregue à família?
Será que é por isto que até aqui o Jack parecia todo muito feliz em bater o couro à Kate, independentemente do Aaron, e depois vemos no 4x04 da Kate, Eggtown, que eles ainda não estão juntos e que, para a Kate, só poderão ficar quando Jack aceitar a criança, apesar de ela perceber porque Jack não aceita o puto? Será que a Kate sabe que o Aaron é sobrinho do Jack?

E ficam-se por aqui, os passados e futuros mostrados no episódio.

No cargueiro, Desmond aparece em desespero a chamar os companheiros à sala de transmissões.
Para lhes mostrar esta rica imagem. E eis que nos apercebemos o que era aquilo que Keamy estava a prender ao braço no episódio anterior... A não explosão do cargueiro está dependente da vida do mercenário.

Ah, últimos minutos de um episódio de Lost...

Sayid e Kate seguem o trilho de Jack e Sawyer em busca do helicóptero, mas encontram pegadas de outras pessoas.
Olhem quem voltou! E pensava eu que os Others não deixavam pistas... Lá foi capturado o meu par de acção preferido...

Ainda se lembram do mui importante gang de Ben, Locke e Hurley? Pois bem, é com eles que acabamos. Com um plano ainda para nós desconhecido em mente, Ben entrega-se a Keamy e aos seus homens.
E nós ficámos todos na m**da com a palavra LOST no ecrã.

Não se preocupem, o resumo/review do 4x12&13 a seu tempo chegará.

MJNuts

5 comments:

Twin said...

eheeheh sou a primeira a comentar! claro só podia! eu sim sou a verdadeira fã de lost! lol Boa twin, acho mt boa a ideia da prateleira só de Lost aqui no blog! Acho até que o tema tem aparecido pouco por estes lados, portanto mts parabens por esta iniciativa! Bom resumo de epi, embora deva dizer (sem ofensa) que a Fish é a minha preferida :P lol deixa lá gosto mais doutras coisas em ti! Fico á espera da continuação, que essa sim é que vale mesmooooo a pena :D

Morcegos no Sótão said...

Hey, eu sei que a Fish é a maior, por isso mesmo é que a publicitei e tudo! Nunca na vida um review meu vai chegar aos calcanhares daquela iluminação de teorias e factos que, mesmo assim, consegue abordar os temas lames e de personagens que eu tanto gosto!^^

Mas é a minha tentativa à la tuga! E visto que o Lost in Portugal é mais dedicado a resumir apenas em vez de comentar e o pessoal (pelo menos eu e tu, não podemos generalizar falsamente) gosta é de ler opiniões alheias a ver se abrem mais a mente... É o que há. ;)

Assim que der la pachorra, sai o review do último, últimozinho. Mas vai sendo feito aos poucos que se este já saiu enorme e o episódio só teve 42 minutos... Imagino o tamanhão que deve sair no outro!xD

MJNuts

Nia said...

Heyyaaaa k post tan graaaaaaannnnde! :P
Não li pk tento acompanhar na tvtuga, mas parece deveras interessante :P

Saudações cinéfilas,
Nia

Uma Pessoa said...

quanto tempo realmente é que alguém pode estar perdido?

na volta ainda encontram a maddie.
AH

gostava que os gajos por detrás da série tivessem a coragem para no último episódio lyncharem essa porra toda e passa tudo a ser um sonho na cabeça do Tobias que tava na sala de espera do seu dentista que podia ser o Locke, sendo que a Fish (sei lá eu quem é) seria a higienista.

Isso é que era de coragem!

Blaze said...

Agora já posso comentar porque já vi o episódio!
Foi um bom episódio, mediano a ponto de nos fazer salivar para o próximo (amanhã 01/07/08). Vai ser LINDO!

Ah, gostaste do meu post lamechas foi? :3